MODELOS DE ASSISTÊNCIA E TAXA DE PARTO CESÁREO/VAGINAL EM HOSPITAIS COM DIFERENTES TIPOS DE GESTÃO: UMA ANÁLISE DE 2.558.496 PARTOS
DOI:
https://doi.org/10.63845/88gx9x67Palavras-chave:
maternidade, cesáreas, gestão hospitalar, parto obstétrico, obstetricia.Resumo
Objetivo: Descrever a tendência temporal no Município de São Paulo do parto cesáreo em relação ao parto vaginal, e sua distribuição por maternidades de diferentes tipos de gestão (pública, privada ou ensino/escola) a partir da observação dos dados do Sistema de Informação de Nascidos Vivos - SINASC. Métodos: trata-se de estudo descritivo, retrospectivo, com utilização de fonte secundária de dados, tendo como alvo os partos ocorridos em maternidades com gestão pública, privada e ensino/escola do Município de São Paulo. A casuística referiu-se à totalidade dos partos ocorridos entre os anos de 2003 e 2018. Foi proposto o cálculo da relação de partos cesáreos sobre os partos vaginais. Utilizou-se a Análise de Variância de Kruskall-Wallis com a finalidade de comparar as relações de partos cesáreos/vaginais de acordo com a gestão hospitalar. Resultados: a amostra se totalizou em 2.559.496 partos, sendo que a proporção de partos cesáreos foi de 31,7% (pública), 84,1% (privada) e 36,6% (ensino/escola), respectivamente.. A relação de partos cesáreos/vaginais foi de 0.58 na gestão pública, 5.40 na gestão privada e 0.47 na gestão escolar (p<0,0001*). Quanto a mudança anual da taxa de parto cesáreo/vaginal observou-se uma relação temporal similar entre os anos de 2003 e 2018 [pública (0.40-0.51); privada (4.6-6.6); Escola/ensino (0.55-0.60)]. Conclusões: A relação parto cesário/ vaginal se diferenciou nas instituições com gestão pública e de ensino/escola da instituição privada (ocorre 10 vezes mais parto cesáreo nas instituições privadas) apresentando pequena variação neste cenário ao longo dos anos.
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