ASSOCIAÇÃO ENTRE BULLYING, CYBERBULLYING E SINTOMAS DE TRANSTORNOS MENTAIS EM JOVENS: EVIDÊNCIAS INTERNACIONAIS E DADOS NACIONAIS RECENTES
DOI:
https://doi.org/10.63845/fwzxbd27Keywords:
Bullying, Cyberbullying, Saúde Mental, Adolescente, Vigilância EpidemiológicaAbstract
Introdução e objetivo: O bullying é um fenômeno crescente que afeta a saúde mental de adolescentes e jovens, estando associado à depressão, ansiedade, baixa autoestima e ideação suicida. Com a expansão do uso de redes sociais, o cyberbullying consolidou-se como forma adicional de violência escolar, com impacto próprio sobre a saúde mental. Este trabalho tem como objetivo analisar, por meio de revisão narrativa da literatura, a associação entre bullying, cyberbullying e sintomas de transtornos mentais em adolescentes e jovens, comparando evidências internacionais recentes a dados nacionais de vigilância epidemiológica.
Método: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, de caráter retrospectivo, sem desenho experimental primário, elaborada a partir de artigos, metanálises e dados de vigilância epidemiológica publicados entre 2010 e 2026, indexados nas bases PubMed, SciELO, Google Scholar e no portal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), selecionados por relevância temática para compor uma síntese sobre prevalência, fatores de risco e impactos do bullying e do cyberbullying na saúde mental de adolescentes.
Resultados: Segundo metanálise global recente, reunindo 116 estudos e mais de 600 mil participantes, a prevalência de vítimas de bullying foi de 25%, a de agressores de 16% e a de vítimas-agressoras de 16%, com maior risco de depressão, ansiedade e ideação suicida entre vítimas e agressores. Metanálises de estudos longitudinais confirmam associação significativa entre cyberbullying e sintomas depressivos e ansiosos, com efeitos mais pronunciados entre adolescentes mais velhos. No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 mostrou que quatro em cada dez adolescentes de 13 a 17 anos já sofreram bullying escolar, com maior vitimização entre meninas (30,1%) e maior autorrelato de agressão entre meninos (16,5%); o cyberbullying atingiu 12,7% dos estudantes, também predominante entre meninas (15,2%) e mais frequente na rede pública. Esses achados nacionais são consistentes com o padrão internacional de maior sofrimento depressivo entre meninas vitimizadas. A vitimização associou-se a comportamentos de risco, como uso de substâncias e baixa autoestima, e mostrou-se preditor independente de problemas de saúde mental na adolescência.
Conclusão: A associação entre bullying, cyberbullying e transtornos mentais em jovens é consistente entre as evidências internacionais e os dados brasileiros mais recentes, comprometendo o desenvolvimento e a qualidade de vida de vítimas e agressores. A aprovação da Lei 14.811/2024, que institui protocolos escolares de proteção contra bullying e cyberbullying no Brasil, reforça a necessidade de articular políticas públicas, capacitação de profissionais da educação e programas preventivos envolvendo escola e família para mitigar esses efeitos.
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