DESAFIOS NO MANEJO DA HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA EM PACIENTES IDOSOS SOB REGIME DE POLIFARMÁCIA: UMA REVISÃO DE LITERATURA
DOI:
https://doi.org/10.63845/rk1yxp04Abstract
Introdução e objetivo: O envelhecimento populacional elevou a prevalência da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS). Para controlar essas diferentes comorbidades no paciente idoso, é muito comum o uso do regime de polifarmácia, que consiste na utilização diária de cinco ou mais medicamentos. Apesar de o tratamento ser necessário, esse elevado volume de prescrições compromete a segurança clínica do idoso e impõe desafios na prática geriátrica. O objetivo deste estudo é analisar as principais barreiras e estratégias no manejo da HAS em idosos sob polifarmácia.
Método: Realizou-se uma revisão narrativa da literatura, com abordagem retrospectiva e descritiva. A busca de dados ocorreu nas bases PubMed e SciELO, priorizando artigos e diretrizes publicados nos últimos 5 anos, além de incluir estudos anteriores de relevância conceitual para o tema. Foram cruzados os descritores: "Hipertensão", "Idoso", "Polifarmácia" e "Hipotensão ortostática". Os critérios de inclusão selecionaram estudos transversais, revisões sistemáticas e diretrizes oficiais, totalizando uma amostra final de 5 artigos científicos para análise.
Resultados: Os dados apontam que a HAS atinge 59,87% da população idosa, sendo a comorbidade mais prevalente. A polifarmácia afeta principalmente os pacientes mais debilitados: idosos vulneráveis apresentaram risco 3,59 vezes maior de usar cinco ou mais medicamentos diariamente. Em grandes centros urbanos brasileiros, a prevalência de polifarmácia entre idosos na atenção primária chega a 37%, associada significativamente a doenças crônicas não transmissíveis (OR=9,24), diabetes (OR=1,93) e obesidade (OR=2,15). Esse volume de prescrições eleva esquecimentos, erros de dosagem e reações adversas: 57,97% dos idosos em polifarmácia usavam ao menos um Medicamento Potencialmente Inapropriado (MPI) pelos Critérios de Beers, favorecendo Hipotensão Ortostática (HO) e risco de quedas. Os estudos revisados apontam que combinações fixas em pílula única, IECA (inibidor da enzima conversora de angiotensina) ou BRA (bloqueador do receptor da angiotensina II) associados a Bloqueadores dos Canais de Cálcio ou Diuréticos tiazídicos, resultaram em maior adesão farmacológica e menor incidência de eventos adversos frente ao uso de múltiplos comprimidos isolados.
Conclusão: A polifarmácia compromete a segurança e a adesão ao tratamento do idoso hipertenso devido à complexidade do regime terapêutico. Para reverter esse cenário, torna-se necessário o uso de ferramentas de triagem, como os Critérios de Beers, para guiar a prescrição e a desintensificação de fórmulas inadequadas. O manejo ideal da HAS nessa população exige a preferência por regimes simplificados em pílula única baseados em combinações fixas, o que assegura a eficácia clínica, melhora a fidelidade ao tratamento e protege a estabilidade postural e a autonomia do idoso.
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