Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica: Da Base Patológica à Prática Clínica
DOI:
https://doi.org/10.63845/crh7k123Keywords:
Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica, Esteatose Hepática, Esteato-HepatiteAbstract
Introdução e objetivo: A Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica (MASLD) é a hepatopatia crônica mais prevalente no mundo, fortemente associada à obesidade, diabetes mellitus tipo 2 e síndrome metabólica. Sua evolução silenciosa favorece o diagnóstico tardio e a progressão para formas graves. Este trabalho buscou analisar as evidências científicas sobre o desenvolvimento embrionário, alterações teciduais, bases moleculares, manifestações clínicas e condutas terapêuticas da MASLD.
Método: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura realizada por meio de busca nas bases de dados PubMed/MEDLINE, SciELO e Cochrane Library. Foram incluídos artigos originais, revisões sistemáticas e narrativas, além de livros-texto consagrados nas áreas de embriologia, bioquímica, patologia e hepatologia, publicados entre 2013 e 2024, nos idiomas português e inglês.
Resultados: Em termos de desenvolvimento, o fígado tem sua origem no endoderma do intestino anterior durante a terceira semana gestacional, organizando-se morfologicamente em ácinos e lóbulos, em que a zona 3 detém maior propensão ao depósito de gordura por sua menor oxigenação. O estresse metabólico rompe a homeostase lipídica, provocando a deposição de triacilgliceróis nos hepatócitos, estresse das mitocôndrias e secreção de citocinas pró-inflamatórias. Esse cenário gera resistência à insulina e recruta células estreladas, impulsionando a deposição de colágeno e a consequente fibrogênese. Adicionalmente, polimorfismos nos genes PNPLA3 e TM6SF2 atuam reduzindo a mobilização de gordura celular e agravando a lesão tecidual. A patologia, de natureza multissistêmica, liga-se fortemente ao risco cardiovascular e à aterogênese. No âmbito histológico, o dano celular cursa com balonização e formação de corpúsculos de Mallory-Denk. A progressão patológica segue uma linha contínua desde a infiltração gordurosa simples até a esteato-hepatite (MASH), fibrose, cirrose e o carcinoma hepatocelular. A clínica inicial é silenciosa; manifestações como ascite e icterícia evidenciam quadros já descompensados. O diagnóstico apoia-se na elastografia transitória para mensurar a rigidez hepática, mantendo-se a biópsia como padrão de referência. O tratamento primordial foca em mudanças de hábitos (restrição calórica e atividade física). Na via medicamentosa, o resmetirom é o único aprovado especificamente para MASH, abrindo caminho para novas terapias como os agonistas de GLP-1, pan-PPAR e inibidores de SGLT2.
Conclusão: A MASLD é uma disfunção metabólica sistêmica muito prevalente e de alto impacto clínico, associada à progressão de danos hepáticos e cardíacos. A prevenção primária, o rápido diagnóstico e a conduta integrada são essenciais para conter sua evolução. Investir em políticas de triagem populacional e em programas educativos em saúde é indispensável para frear esse avanço silencioso e mitigar o dano na população.
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