Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica: Da Base Patológica à Prática Clínica

Authors

  • Maria Eduarda Figueiredo Silva Araujo Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC.
  • Eduardo Peixoto Vitorino da Silva Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC.
  • Júlia Pagliochi Dupont Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC.
  • Laíse Pereira Rodrigues Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC.
  • Lívia Serpe Nascimento Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC.
  • Serugue Abreu e Santiago Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC.

DOI:

https://doi.org/10.63845/crh7k123

Keywords:

Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica, Esteatose Hepática, Esteato-Hepatite

Abstract

Introdução e objetivo: A Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica (MASLD) é a hepatopatia crônica mais prevalente no mundo, fortemente associada à obesidade, diabetes mellitus tipo 2 e síndrome metabólica. Sua evolução silenciosa favorece o diagnóstico tardio e a progressão para formas graves. Este trabalho buscou analisar as evidências científicas sobre o desenvolvimento embrionário, alterações teciduais, bases moleculares, manifestações clínicas e condutas terapêuticas da MASLD.

Método: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura realizada por meio de busca nas bases de dados PubMed/MEDLINE, SciELO e Cochrane Library. Foram incluídos artigos originais, revisões sistemáticas e narrativas, além de livros-texto consagrados nas áreas de embriologia, bioquímica, patologia e hepatologia, publicados entre 2013 e 2024, nos idiomas português e inglês.

Resultados: Em termos de desenvolvimento, o fígado tem sua origem no endoderma do intestino anterior durante a terceira semana gestacional, organizando-se morfologicamente em ácinos e lóbulos, em que a zona 3 detém maior propensão ao depósito de gordura por sua menor oxigenação. O estresse metabólico rompe a homeostase lipídica, provocando a deposição de triacilgliceróis nos hepatócitos, estresse das mitocôndrias e secreção de citocinas pró-inflamatórias. Esse cenário gera resistência à insulina e recruta células estreladas, impulsionando a deposição de colágeno e a consequente fibrogênese. Adicionalmente, polimorfismos nos genes PNPLA3 e TM6SF2 atuam reduzindo a mobilização de gordura celular e agravando a lesão tecidual. A patologia, de natureza multissistêmica, liga-se fortemente ao risco cardiovascular e à aterogênese. No âmbito histológico, o dano celular cursa com balonização e formação de corpúsculos de Mallory-Denk. A progressão patológica segue uma linha contínua desde a infiltração gordurosa simples até a esteato-hepatite (MASH), fibrose, cirrose e o carcinoma hepatocelular. A clínica inicial é silenciosa; manifestações como ascite e icterícia evidenciam quadros já descompensados. O diagnóstico apoia-se na elastografia transitória para mensurar a rigidez hepática, mantendo-se a biópsia como padrão de referência. O tratamento primordial foca em mudanças de hábitos (restrição calórica e atividade física). Na via medicamentosa, o resmetirom é o único aprovado especificamente para MASH, abrindo caminho para novas terapias como os agonistas de GLP-1, pan-PPAR e inibidores de SGLT2.

Conclusão: A MASLD é uma disfunção metabólica sistêmica muito prevalente e de alto impacto clínico, associada à progressão de danos hepáticos e cardíacos. A prevenção primária, o rápido diagnóstico e a conduta integrada são essenciais para conter sua evolução. Investir em políticas de triagem populacional e em programas educativos em saúde é indispensável para frear esse avanço silencioso e mitigar o dano na população.

0 0

References

Sadler TW. Langman. Embriologia Médica. 13. ed. Wolters Kluwer Health; 2015.

Burt AD, Ferrell LD, Hübscher SG, editors. MacSween's Pathology of the Liver. 8. ed. Philadelphia: Elsevier; 2023.

Kumar V, Abbas AK, Fausto N, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia — Bases Patológicas das Doenças. Elsevier; 2013.

Baynes JW, Dominiczak MH. Bioquímica Médica. 5. ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan; 2019.

Jesus RP de, Oliveira LPM de, Lyra LGC. Nutrição e Hepatologia: abordagem terapêutica clínica e cirúrgica. 1. ed. Rio de Janeiro: Rubio; 2014.

Grander C, Grabherr F, Tilg H. Non-alcoholic fatty liver disease: pathophysiological concepts and treatment options. Innere Med (Heidelb). 2023;64(9):815-24.

Friedman SL, Neuschwander-Tetri BA, Rinella M, Sanyal AJ. Mechanisms of NAFLD development and therapeutic strategies. Nat Med. 2018;24(7):907–22.

Younossi ZM, Golabi P, Paik JM, Henry A, Van Dongen C, Henry L, et al. The global epidemiology of nonalcoholic fatty liver disease (NAFLD) and nonalcoholic steatohepatitis (NASH): a systematic review. Hepatology. 2023;77(4):1335–47.

Pouwels S, Sakran N, Graham Y, Leal A, Pintar T, Yang W, et al. Non-alcoholic fatty liver disease (NAFLD): a review of pathophysiology, clinical management and effects of weight loss. BMC Endocr Disord. 2022;22(1):63.

Sookoian S, Pirola CJ. Genetic predisposition in nonalcoholic fatty liver disease. Clin Mol Hepatol. 2017;23(1):1–12.

Published

2026-10-15

Issue

Section

Award-Winning Abstracts from the Santa Catarina Congress of Academic Leagues

How to Cite

1.
Araujo MEFS, Silva EPV da, Dupont JP, Rodrigues LP, Nascimento LS, Santiago SA e. Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica: Da Base Patológica à Prática Clínica. Rev. Arq Catarin Med [Internet]. 2026 Oct. 15 [cited 2026 Oct. 15];55(4):31-2. Available from: https://revista.acm.org.br/arquivos/article/view/2053