USO DE PSICOESTIMULANTES NATURAIS POR ESTUDANTES DE MEDICINA E SEUS EFEITOS NA SAÚDE MENTAL: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

Authors

  • Maria Eduarda Neves Andriani UNIFEBE
  • Julia Fronza Roepcke UNIFEBE
  • Laura Vivian Valentim de Moura UNIFEBE
  • Luis Fernando Ramo UNIFEBE
  • Nathália Nunes Oberg UNIFEBE

DOI:

https://doi.org/10.63845/nsmsbe71

Keywords:

cafeína, bebidas energéticas, ansiedade, depressão, estresse

Abstract

Introdução e objetivo: O ambiente acadêmico da medicina caracteriza-se por elevada carga horária e pressão constante por desempenho, fatores que comprometem a saúde mental dos estudantes e favorecem a busca por estratégias de aprimoramento cognitivo, como o consumo de psicoestimulantes naturais (cafeína e bebidas energéticas, entre outros). Este estudo teve como objetivo analisar, na literatura científica, a correlação entre o uso dessas substâncias por estudantes de medicina e seus efeitos na saúde mental.

Método: Trata-se de revisão integrativa da literatura, de caráter descritivo e qualitativo.A busca foi realizada nas bases PubMed, SciELO e LILACS, no primeiro semestre de 2026, foram usados os descritores: psicoestimulantes naturais, cafeína, guaraná, chá-verde e erva-mate, estudantes de medicina, saúde mental, ansiedade, depressão, fadiga e estresse, por meio de operadores booleanos AND e OR. Foram incluídos artigos publicados entre 2010 e 2025, em português, inglês ou espanhol, com texto completo disponível e relacionados a desfechos de saúde mental em estudantes de medicina. Foram excluídos resumos de eventos, dissertações, teses, estudos duplicados e artigos restritos a psicoestimulantes sintéticos. Dos 87 artigos identificados, 11 foram incluídos após triagem por título, resumo e leitura na íntegra.

Resultados: Os estudos revisados apontam associação consistente entre o consumo de psicoestimulantes naturais e alterações na saúde mental de estudantes de medicina, sobretudo entre usuários de doses elevadas. Estudo transversal com 289 estudantes de medicina peruanos encontrou associação significativa entre consumo de bebidas energéticas e sintomas de insônia (p=0,008), com risco 1,78 vez maior entre os consumidores. Em amostra saudita de 305 estudantes, 81,3% relataram consumo de cafeína, sendo 52% em doses elevadas (≥400mg/dia) e 80,6% com efeitos adversos percebidos. Estudo brasileiro com 244 acadêmicos encontrou uso de psicoestimulantes em 57,4% da amostra, com predomínio de cafeína (85%) e bebidas energéticas (65%) entre os usuários, e melhora da concentração (97%) e redução do sono (83%) como efeitos mais percebidos. Estudo correlacional com 800 estudantes de medicina libaneses, com instrumentos validados, identificou associação significativa entre maior consumo de cafeína e níveis mais elevados de estresse acadêmico. Abordagem qualitativa com estudantes de Medicina revelou que tais estratégias, embora percebidas como benéficas ao desempenho, associam-se a aumento do estresse, ansiedade e dependência.

Conclusão: Os psicoestimulantes naturais são amplamente utilizados por estudantes de medicina pela percepção de melhora no desempenho acadêmico, mas esta revisão evidencia que, sobretudo em doses elevadas, o consumo também se associa a maiores índices de ansiedade, depressão e dependência. Esse padrão, recorrente entre os diferentes contextos analisados, reforça a relevância do tema para a saúde mental dessa população.

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References

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Published

2026-10-15

Issue

Section

Award-Winning Abstracts from the Santa Catarina Congress of Academic Leagues

How to Cite

1.
Andriani MEN, Roepcke JF, Moura LVV de, Ramo LF, Oberg NN. USO DE PSICOESTIMULANTES NATURAIS POR ESTUDANTES DE MEDICINA E SEUS EFEITOS NA SAÚDE MENTAL: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA. Rev. Arq Catarin Med [Internet]. 2026 Oct. 15 [cited 2026 Oct. 15];55(4):39-40. Available from: https://revista.acm.org.br/arquivos/article/view/2057