VARIAÇÕES DO ACRÔMIO E SUA RELAÇÃO COM A SÍNDROME DO IMPACTO SUBACROMIAL: REVISÃO NARRATIVA DA LITERATURA
DOI:
https://doi.org/10.63845/c65m3t24Keywords:
acrômio, síndrome do impacto subacromial, manguito rotador, anatomiaAbstract
Introdução: O acrômio é uma projeção óssea da escápula que constitui o teto do espaço subacromial. Em 1972, Neer propôs que alterações na anatomia do arco coracoacromial poderiam contribuir para o desenvolvimento da síndrome do impacto subacromial (SIS)1. Posteriormente, Bigliani et al. classificaram a morfologia do acrômio em tipo I (plano), tipo II (curvo) e tipo III (ganchoso)2. Essas variações podem influenciar na redução do espaço subacromial e favorecer o impacto das estruturas adjacentes, especialmente os tendões do manguito rotador e a bursa subacromial. Entretanto, evidências mais recentes questionam se essa associação representa um fator causal ou se constitui apenas um dos diversos fatores envolvidos na fisiopatologia da síndrome.
Objetivo: Analisar as evidências científicas sobre a associação entre as variações morfológicas do acrômio e a síndrome do impacto subacromial.
Método: Trata-se de uma revisão da literatura de caráter descritivo. Foi realizada busca nas bases de dados PubMed e SciELO, utilizando os descritores "acromial variation", "acromion morphology", e seus correspondentes em português. Foram incluídos artigos publicados em português e inglês, no período de 1972 a 2020, que abordassem a morfologia do acrômio, sua classificação e sua possível associação com a síndrome do impacto subacromial.
Resultados: Os estudos iniciais demonstram maior prevalência dos acrômios curvo e ganchoso em indivíduos com SIS e lesões do manguito rotador, sugerindo que essas variações anatômicas estariam associadas à compressão das estruturas do espaço subacromial3. Entretanto, evidências mais recentes indicam que a morfologia do acrômio, isoladamente, não determina o desenvolvimento da doença4. A literatura aponta que fatores extrínsecos, como alterações anatômicas e biomecânicas, e fatores intrínsecos, como degeneração tendínea e sobrecarga mecânica, atuam de forma conjunta na fisiopatologia da SIS5. Nessa perspectiva, a degeneração do manguito rotador promove instabilidade glenoumeral, desencadeando um remodelamento ósseo compensatório com formação progressiva de esporões ao longo do arco coracoacromial, o que pode resultar em deformação da morfologia do acrômio5.Dessa forma, as alterações morfológicas do acrômio não devem ser interpretadas, isoladamente, como fator causal da síndrome, mas como um achado que pode estar associado ao seu desenvolvimento ou decorrer do processo degenerativo5.
Conclusão: Os estudos analisados indicam que, embora as variações morfológicas do acrômio estejam associadas à SIS, sua participação como fator causal permanece discutível. As evidências mais recentes apontam que a morfologia acromial deve ser interpretada no contexto da natureza multifatorial da síndrome, em associação com fatores clínicos, biomecânicos e degenerativos. Portanto, estudos com maior rigor metodológico são necessários para esclarecer o real papel das variações do acrômio na fisiopatologia da SIS.
References
NEER, C. S. II. Anterior acromioplasty for the chronic impingement syndrome in the shoulder: a preliminary report. Journal of Bone and Joint Surgery. American Volume, Boston, v. 54, n. 1, p. 41–50, 1972.
BIGLIANI, L. U.; TICKER, J. B.; FLATOW, E. L.; SOSLOWSKY, L. J.; MOW, V. C. The relationship of acromial architecture to rotator cuff disease. Clinical Sports Medicine, Philadelphia, v. 10, n. 4, p. 823–838, 1991.
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