ANÁLISE DO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA SÍFILIS ADQUIRIDA EM SANTA CATARINA ENTRE 2015 E 2023.
DOI:
https://doi.org/10.63845/52tt5975Keywords:
Sífilis, Epidemiologia, Infecções Sexualmente Transmissíveis, Vigilância Epidemiológica, Sistemas de Informação em SaúdeAbstract
Introdução/objetivo: A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum, com diferentes manifestações clínicas. Apesar de ser uma doença prevenível e tratável, permanece um importante problema de saúde pública. O objetivo do estudo foi analisar o perfil epidemiológico da sífilis adquirida em Santa Catarina (SC) entre 2015 e 2023.
Métodos: Trata-se de um estudo epidemiológico, observacional, descritivo, retrospectivo e transversal, realizado com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponibilizados pelo DATASUS. Foram analisados os casos de sífilis adquirida em SC entre 2015 e 2023, segundo ano de notificação, faixa etária, sexo, raça/cor, critério de confirmação e evolução.
Resultados: Entre 2015 e 2023 foram confirmados 97.913 casos de sífilis adquirida em SC, evidenciando crescimento da doença. Houve aumento das notificações, de 3.040 casos em 2015 para 17.478 em 2023, correspondendo a um aumento de 475%. Em 2020, ocorreu uma redução para 9.497 casos, possivelmente por subnotificação na pandemia de COVID-19, seguida de retomada do crescimento nos anos seguintes. Observou-se predominância masculina, com 58.593 casos (59,8%), enquanto o sexo feminino registrou 39.267 notificações. A faixa etária de 20 a 39 anos concentrou a maior parte dos casos (61.901), representando cerca de 63%, seguida pelo grupo de 40 a 59 anos (21.156), com 21,6%. Adolescentes de 15 a 19 anos representaram 8.266 casos (8,5%), e idosos acima de 60 anos apresentaram 5.726 diagnósticos. Quanto à raça/cor, predominou a população branca com 70% dos casos (68.336 pacientes), seguida da parda (9.124), preta (4.493), amarela (1.107) e indígena (355), destacando-se ainda 14.498 registros sem informação. O diagnóstico é majoritariamente laboratorial, responsável por 83,9% das confirmações. Em relação à evolução, 60.308 pacientes evoluíram para cura, porém 37.416 registros apresentavam evolução não informada, evidenciando limitações na qualidade das notificações e fragilidades no monitoramento da doença. A mortalidade ligada à sífilis foi baixa, com 39 óbitos registrados.
Conclusão: Os casos de sífilis adquirida apresentaram crescimento expressivo em SC no período analisado, acometendo principalmente homens e adultos jovens. Embora a elevada confirmação laboratorial demonstre ampla capacidade diagnóstica, a elevada proporção de registros com evolução ignorada evidencia fragilidades na vigilância epidemiológica. Os achados reforçam a necessidade de intensificar ações de prevenção, diagnóstico oportuno e qualificação do preenchimento das notificações para fortalecer o controle da doença no estado catarinense.
References
BRASIL. Ministério da Saúde. Sífilis. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/sifilis. Acesso em: 07 jul. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). TABNET: casos de sífilis adquirida – Santa Catarina. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [s.d.]. Disponível em: https://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sinannet/cnv/sifilisadquiridasc.def. Acesso em: 07 jul. 2026.
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