Angioplastia carotídea para estenose da artéria carótida: análise retrospectiva de 20 anos em um centro de neurocirurgia
DOI:
https://doi.org/10.63845/jn60w568Abstract
A estenose da artéria carótida é uma das principais causas de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, sendo responsável por aproximadamente 20% desses eventos e associada a elevada morbimortalidade. O tratamento visa reduzir o risco de eventos cerebrovasculares recorrentes. Dessa forma, a angioplastia carotídea com implante de stent constitui uma alternativa minimamente invasiva, especialmente em pacientes com alto risco cirúrgico. O conhecimento do perfil epidemiológico e das características dos pacientes submetidos a esse procedimento pode contribuir para melhor aplicabilidade na prática clínica. Dessa forma, o objetivo deste trabalho foi descrever o perfil epidemiológico, clínico e angiográfico dos pacientes submetidos à angioplastia carotídea para tratamento da estenose da artéria carótida, bem como caracterizar os aspectos técnicos dos procedimentos realizados em um centro de referência. Trata-se de um trabalho retrospectivo, observacional e descritivo, baseado na análise de banco de dados de um centro de referência em neurocirurgia. Foram incluídos pacientes submetidos à angioplastia de carótida para tratamento de estenose carotídea no período de 2005 a 2025. Foram analisadas as variáveis sexo, idade, comorbidades, sintomatologia prévia, grau de estenose, lateralidade e procedimento utilizado para o tratamento. Totalizaram 2.106 pacientes, sendo a idade média de 70 anos, com predominância do sexo masculino (65,5%). Entre as manifestações clínicas prévias, observou-se histórico de acidente vascular cerebral isquêmico em 44,2% dos pacientes, seguido por tontura (36,9%), ataque isquêmico transitório (16,5%) e cefaleia (8,0%). As comorbidades mais frequentes foram hipertensão arterial sistêmica (92,4%), dislipidemia (87,2%), tabagismo (28,9%), cardiopatia (26,4%) e diabetes mellitus (24,2%). Quanto à lateralidade da lesão tratada, 52,1% dos procedimentos foram realizados na carótida esquerda e 47,9% na direita. Em relação ao grau de estenose, predominaram lesões entre 90–99% (39,5%), seguidas por estenoses de 70–79% (30,0%) e 80–89% (25,9%). Os procedimentos foram realizados com diferentes modelos de stents e, na maioria dos casos, com utilização de dispositivos de proteção cerebral, destacando-se os filtros FilterWire, AngioGuarde Spider como os mais frequentemente empregados.A angioplastia carotídea foi empregada predominantemente em homens acima dos 60 anos, com predomínio de comorbidade como hipertensão, dislipidemia e diabetes, respectivamente. A maioria dos pacientes era sintomática, principalmente por AVC isquêmico prévio, e apresentava estenoses graves (80–90%). Em todos os casos foram implantados stents, sendo o acesso femoral a sua maioria. Esse trabalho permite caracterizar a conduta e a epidemiologia dos pacientes atendidos em um centro de neurocirurgia, possibilitando avaliar o procedimento de angioplastia carotídea e sua aplicabilidade.
References
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