PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA MORTALIDADE MATERNA POR ECLÂMPSIA NO BRASIL: UMA ANÁLISE TEMPORAL DE 2019 A 2024
DOI:
https://doi.org/10.63845/jwhbw709Keywords:
Eclâmpsia, Mortalidade Materna, Epidemiologia, Saúde MaternaAbstract
Introdução e objetivo: A eclâmpsia constitui a manifestação mais grave dos transtornos hipertensivos da gestação e permanece como importante causa evitável de morbimortalidade materna, apesar dos avanços no diagnóstico e manejo da pré-eclâmpsia. Nesse contexto, representa relevante problema de saúde pública. O presente estudo objetivou analisar o perfil epidemiológico da mortalidade materna por eclâmpsia no Brasil, entre 2019 e 2024, segundo características sociodemográficas e distribuição temporal.
Método: Trata-se de estudo epidemiológico observacional, ecológico, retrospectivo e descritivo, realizado com dados secundários do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), disponíveis na plataforma TABNET-DATASUS, referentes ao período de 2019 a 2024. Foram incluídos os óbitos de mulheres em idade fértil (10 a 49 anos) cuja causa básica foi classificada como eclâmpsia (CID-10 O15 e suas subcategorias). As variáveis analisadas foram faixa etária, escolaridade e cor/raça. Os dados foram submetidos à análise descritiva, com cálculo das frequências absolutas e relativas. Também foram calculadas taxas específicas de mortalidade por faixa etária, utilizando o número de óbitos por eclâmpsia como numerador e o número de nascidos vivos como denominador.
Resultados: Foram registrados 798 óbitos por eclâmpsia no Brasil entre 2019 e 2024. Observou-se uma redução dos óbitos ao longo da série histórica, embora com discreto aumento em 2022 (147;18,42%) e em 2024 (111;13,91%) após reduções nos anos anteriores. O maior número de óbitos foi registrado em 2019 (160;20,05%). Quanto ao perfil sociodemográfico, predominaram mulheres pardas (448;56,14%), seguidas por brancas (188;23,55%) e pretas (119;14,91%). Quanto à escolaridade, prevaleceram mulheres com 8 a 11 anos de estudo (370; 46,37%). Em relação à faixa etária, mulheres de 30 a 39 anos apresentaram a maior taxa específica de mortalidade materna por eclâmpsia, correspondendo a 5,99 óbitos por 100.000 nascidos vivos, enquanto entre aquelas de 20 a 29 anos a taxa foi de 3,79 óbitos por 100.000 nascidos vivos. Dessa forma, a mortalidade por eclâmpsia foi 1,58 vez maior no grupo de 30 a 39 anos.
Conclusão: A mortalidade por eclâmpsia permanece como importante causa evitável de óbito materno no Brasil, acometendo principalmente mulheres pardas, com 8 a 11 anos de escolaridade e maior risco entre 30 e 39 anos. Os achados evidenciam grupos prioritários para intervenções em saúde e reforçam a necessidade de fortalecer a assistência pré-natal, o diagnóstico precoce e o manejo adequado dos transtornos hipertensivos da gestação, contribuindo para a redução da mortalidade materna e das iniquidades em saúde.
References
BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do SUS. Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM): TABNET – Mortalidade por CID-10. Brasília, DF: DATASUS. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sim/cnv/mat10uf.def. Acesso em: 20 jun. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Ações Programáticas. Manual de gestação de alto risco. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://atencaoprimaria.es.gov.br/Media/AtencaoPrimaria/Mulher/Manual%20Gesta%C3%A7%C3%A3o%20Alto%20Risco%202022.pdf. Acesso em: 20 jun. 2026.
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