Perfil epidemiológico dos óbitos por causas indeterminadas em Santa Catarina (2014-2024)
DOI:
https://doi.org/10.63845/cpcnyq85Abstract
Introdução e objetivo: O monitoramento dos dados de mortalidade é essencial para a gestão em saúde pública, permitindo identificar prioridades e orientar políticas de prevenção. No Brasil, o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) é a principal fonte desses dados, mas sua qualidade é comprometida pela persistência de óbitos classificados como causas mal definidas e não especificadas (CID-10 R99), quando a causa básica da morte não é determinada. Em Santa Catarina, apesar dos bons indicadores de saúde, esses registros permanecem frequentes, tornando necessária a análise de sua distribuição temporal e do perfil das vítimas. Assim, este estudo teve como objetivo caracterizar o perfil epidemiológico dos óbitos por causas mal definidas em residentes de Santa Catarina entre 2014 e 2024.
Método: Estudo epidemiológico retrospectivo, do tipo transversal, descritivo e de base populacional, realizado a partir de dados secundários do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS). Foram incluídos os óbitos por causas mal definidas (CID-10 R99) registrados em residentes do estado de Santa Catarina no período de 2014 a 2024. As variáveis analisadas foram ano do óbito, sexo, faixa etária, raça/cor e local de ocorrência. Realizou-se análise descritiva dos dados, utilizando frequências absolutas e relativas.
Resultados: Entre 2014 e 2024, foram registrados 6.569 óbitos por causas mal definidas (CID-10 R99) em Santa Catarina. A série temporal apresentou oscilações, variando de 508 casos em 2015 a 700 em 2022, sem tendência consistente de redução ao longo do período. Observou-se predominância do sexo masculino (64,4%), de indivíduos de raça/cor branca (84,7%) e da população com 60 anos ou mais (56,4%), especialmente daqueles com 80 anos ou mais (22,4%), evidenciando o forte impacto do envelhecimento na incidência dessas mortes. O domicílio constituiu o principal local de ocorrência dos óbitos (50,2%), seguido pelo ambiente hospitalar (26,5%).
Conclusão: Os óbitos por causas mal definidas permaneceram frequentes em Santa Catarina entre 2014 e 2024, predominando entre homens, idosos, pessoas de raça/cor branca e ocorrendo principalmente em domicílio, indicando possíveis dificuldades no acesso aos serviços de saúde, na investigação do diagnóstico ou na adequada certificação da causa básica de morte. Esses achados reforçam a necessidade de fortalecer a vigilância epidemiológica, qualificar o preenchimento das Declarações de Óbito e aprimorar a investigação dessas mortes, garantindo maior confiabilidade ao SIM e melhor planejamento de políticas públicas de prevenção e assistência.
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