Tendência temporal da ocorrência de transtornos mentais durante o período de 2017 a 2022 na Região Sul do Brasil e o impacto da pandemia por COVID-19

Authors

  • Laura Poltronieri

DOI:

https://doi.org/10.63845/b38h5412

Keywords:

Saúde mental, Transtornos mentais, Depressão, Ansiedade, Covid-19

Abstract

Introdução e objetivo: A saúde mental envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais. A pandemia da doença por coronavírus 2019 (COVID-19) intensificou quadros de ansiedade e depressão globalmente devido ao isolamento e estressores socioeconômicos, configurando uma quarta onda pandêmica que impacta a capacidade laborativa e eleva o risco de suicídio. O objetivo deste trabalho foi analisar a tendência temporal de internações por transtornos mentais em adultos na Região Sul do Brasil entre 2017 e 2022

Método: Trata-se de um trabalho retrospectivo do tipo estudo ecológico de séries temporais. A pesquisa coletou dados secundários de morbidade hospitalar relativos a transtornos mentais e comportamentais (Classificação Internacional de Doenças, CID-10, código V) ocorridos em pacientes de 20 a 59 anos na Região Sul do Brasil, entre 2017 e 2022. As informações provieram do banco de dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), disponibilizado pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Os coeficientes de morbidade foram padronizados para cada 100 mil habitantes por sexo, faixa etária e estado. A análise de tendência temporal utilizou o método de regressão linear simples, com cálculo da variação média anual (β) e intervalos de confiança de 95% (IC95%), adotando significância estatística de p<0,05. Por utilizar dados públicos e anônimos, dispensou-se avaliação por comitê de ética.

Resultados: Foram avaliados 345.463 casos de internação hospitalar. Observou-se tendência de estabilidade na taxa geral da região (β=−12,32; p=0,099), com taxa média de 333,35 internações por 100 mil habitantes. Na análise por estados, o Paraná demonstrou tendência de diminuição (β=−17,22; p=0,016) e redução de 31,68% entre o primeiro e o último ano. Santa Catarina (β=5,13; p=0,480) e Rio Grande do Sul (β=−11,34; p=0,246) apresentaram estabilidade. Quanto ao sexo, as mulheres mantiveram comportamento estável (β=−4,96; p=0,331) em todas as faixas etárias. No sexo masculino, constatou-se tendência de diminuição geral (β=−20,03; p=0,050), impulsionada pelas faixas de 40 a 49 anos (β=−30,12; p=0,020) e 50 a 59 anos (β=−29,01; p=0,010). A faixa masculina de 20 a 29 anos permaneceu estável (β=−3,72; p=0,634).

Conclusão: A taxa geral de internação por transtornos mentais na Região Sul exibiu estabilidade temporal no período analisado. Embora a literatura mundial aponte um aumento de sofrimento psíquico decorrente da pandemia, o perfil de internações não demonstrou acréscimo generalizado, o que sugere um cenário complexo influenciado por possíveis subnotificações e redirecionamento de leitos hospitalares para o combate às crises respiratórias durante a sobrecarga do sistema de saúde.

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References

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Published

2026-10-15

How to Cite

1.
Poltronieri L. Tendência temporal da ocorrência de transtornos mentais durante o período de 2017 a 2022 na Região Sul do Brasil e o impacto da pandemia por COVID-19. Rev. Arq Catarin Med [Internet]. 2026 Oct. 15 [cited 2026 Oct. 15];55(4):101-2. Available from: https://revista.acm.org.br/arquivos/article/view/2088