Tendência temporal da mortalidade por tuberculose em Santa Catarina segundo macrorregião de saúde, sexo e faixa etária, 2014–2024

Authors

  • Ana Bernardi Heyse
  • Gabriel Finkler de Souza

DOI:

https://doi.org/10.63845/vqzeyw71

Keywords:

Tuberculose, Mortalidade, Estudos de Séries Temporais, Análise de Tendência, Epidemiologia

Abstract

Introdução e objetivo: A tuberculose (TB) é uma das principais causas de morte por doenças infecciosas no mundo, apesar de ser prevenível e curável. No Brasil, observa-se padrão semelhante: em 2023, os óbitos por TB ultrapassaram 6 mil, o maior registro em duas décadas. Embora o plano nacional de eliminação esteja alinhado à Organização Mundial da Saúde — que previa a redução de 75% da mortalidade entre 2015 e 2025 —, a taxa nacional cresceu de 2,30 para 2,97 óbitos por 100.000 habitantes entre 2015 e 2024 (29,1%). Considerando seu elevado potencial de cura e forte determinação social, este estudo objetivou analisar a tendência temporal da mortalidade pela TB em Santa Catarina (SC), entre 2014 e 2024, visando compreender sua evolução e subsidiar estratégias de controle.

Método: Trabalho retrospectivo, do tipo transversal de série temporal ecológica, utilizando dados secundários de óbitos por residência (CID-10 A15-A19) do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS). Foram descritas frequências absolutas e relativas e calculadas taxas de mortalidade, sendo as taxas geral e por sexo padronizadas por idade pelo método direto, usando como padrão a distribuição etária catarinense de 2014. A tendência foi analisada por regressão de Prais-Winsten, estimando-se a variação percentual anual (Annual Percentage Change — APC) e os intervalos de confiança de 95% (IC95%). As análises estatísticas foram processadas no software R (versão 4.5.3).

Resultados: Foram registrados 940 óbitos por tuberculose em SC, dos quais 832 (88,5%) foram classificados pelo SIM como evitáveis por imunoprevenção ou por adequada atenção às doenças infecciosas. A taxa de mortalidade geral aumentou de 0,88 para 1,34 óbitos/100.000 habitantes entre 2014 e 2024 (52,3%), com tendência crescente significativa (APC = 5,74; IC95%: 4,13–7,37; p < 0,001). Quanto ao sexo, o incremento foi significativo apenas no masculino (APC = 7,67; IC95%: 5,94–9,42; p < 0,001), que concentrou 71,2% dos óbitos. As macrorregiões Sul, Foz do Rio Itajaí, Meio Oeste e, notadamente, a Grande Florianópolis (APC = 12,12; IC95%: 5,06–19,65; p = 0,007) apresentaram tendência crescente significativa. Na estratificação etária, observou-se incremento significativo nas faixas de 20–29 (APC = 11,39; IC95%: 3,19–20,25; p = 0,021) e 50–59 anos (APC = 8,60; IC95%: 5,74–11,54; p < 0,001).

Conclusão: Evidencia-se aumento progressivo da mortalidade por TB em SC, concentrado na população masculina e em adultos em idade economicamente ativa. O comportamento da Grande Florianópolis, com ascensão expressiva, pode refletir desigualdades no acesso aos serviços, além de barreiras ao diagnóstico oportuno e à adesão terapêutica em grandes centros urbanos. Reforça-se a urgência de políticas públicas que ampliem o acesso e a retenção de homens na Atenção Primária à Saúde.

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References

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Published

2026-10-15

Issue

Section

Award-Winning Abstracts from the Santa Catarina Congress of Academic Leagues

How to Cite

1.
Heyse AB, Souza GF de. Tendência temporal da mortalidade por tuberculose em Santa Catarina segundo macrorregião de saúde, sexo e faixa etária, 2014–2024. Rev. Arq Catarin Med [Internet]. 2026 Oct. 15 [cited 2026 Oct. 15];55(4):11-2. Available from: https://revista.acm.org.br/arquivos/article/view/2043