RESULTADOS FUNCIONAIS DA CIRURGIA ROBÓTICA NO CÂNCER COLORRETAL: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
DOI:
https://doi.org/10.63845/8wtzax21Keywords:
Câncer colorretal, Cirurgia robótica, Desfechos funcionais, Laparoscopia, Cirurgia minimamente invasivaAbstract
Introdução e objetivo: O câncer colorretal (CCR) é o terceiro tipo de câncer com maior incidência e mortalidade global, correspondendo a cerca de 1 em cada 10 diagnósticos e óbitos por câncer. Nesse contexto, a cirurgia robótica colorretal (RCS) revolucionou o tratamento cirúrgico, tornando fundamental a avaliação da sua efetividade e segurança, especialmente em comparação com as abordagens aberta e laparoscópica.
Método: Trata-se de uma revisão sistemática conduzida conforme protocolo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses). Foram incluídos ensaios clínicos randomizados e meta-análises, com homens ou mulheres adultos, diagnosticados com CCR, publicados em inglês, portugeues ou espanhol, entre 2015-2025. A busca foi realizada no PubMed com os termos (Colorectal Neoplasms OR colorectal cancer OR colon cancer OR rectal cancer) AND (Robotic Surgical Procedures OR robotic surgery OR robot-assisted surgery) AND (Treatment Outcome OR surgical outcomes OR postoperative outcomes OR oncological outcomes). Foram encontrados 173 artigos, triados por dois revisores independentes, inicialmente com base no título e resumo, sendo 32 avaliados em sua totalidade, dos quais 5 foram selecionados para esta pesquisa.
Resultados: Em comparação à cirurgia aberta, a RCS apresentou melhores desfechos perioperatórios, incluindo menor tempo de internação (5 versus 6 dias), menor taxa de margem cirúrgica circunferencial positiva (3,9% versus 5,5%), menor mortalidade em 90 dias (1% versus 2%) e maior sobrevida global em cinco anos (79,7% versus 77,1%). Quando comparada à cirurgia laparoscópica, a RCS apresentou custos mais elevados e maior tempo de dissecção. Entretanto, o tempo operatório total foi semelhante, com menor tempo para a realização da anastomose e reforço dos cotos ileal e colônico. Além disso, observou-se menor incidência de complicações clínicas totais (13,5% versus 27,8%), menor taxa de conversão para cirurgia aberta (1,6% versus 10,3%), menor perda sanguínea intraoperatória e menor comprometimento da margem circunferencial (3,2% versus 9,5%), sugerindo melhor precisão técnica. O número de linfonodos ressecados foi semelhante entre as técnicas. No pós-operatório imediato, a RCS demonstrou recuperação mais rápida, com menor tempo para a eliminação de flatos (3,62 versus 6,9 dias), retomada precoce da dieta, menor tempo de hospitalização (6 versus 7 dias) e menor incidência de fístula anastomótica (1,6% versus 7,9%). Contudo, os desfechos oncológicos de longo prazo foram semelhantes entre as abordagens, com taxas de sobrevida global e livre da doença em 5 anos semelhantes (77,4% versus 83,6% e 91,1% versus 91,0%; respectivamente).
Conclusão: A RCS demonstrou melhor perfil de segurança em comparação à cirurgia aberta e vantagens técnicas em relação à laparoscopia. Apesar de não apresentar superioridade significativa nos desfechos oncológicos a longo prazo, a principal vantagem da abordagem robótica reside nos resultados perioperatórios e funcionais.
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