ANÁLISE DA EVOLUÇÃO TEMPORAL E DA CLASSIFICAÇÃO CLÍNICA DE SÍFILIS EM GESTANTES NO MUNICÍPIO DE ITAJAÍ NO PERÍODO DE 2018 A 2023.

Authors

  • Letícia Müller Walker Acadêmica do Curso de Medicina, Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), Itajaí, SC, Brasil.
  • Sabrina Lucietti Dick Professora de Imunologia do Curso de Medicina, Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), Itajaí, SC, Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.63845/078ra212

Keywords:

sífilis, gestantes, pré-natal, clínica

Abstract

Introdução: A sífilis, infecção causada pela bactéria Treponema pallidum, é um desafio à saúde pública mundial. No Brasil, a notificação em gestantes é compulsória desde 2005 e compreender seu perfil epidemiológico é fundamental para o planejamento de políticas públicas eficazes. O objetivo deste trabalho foi analisar a evolução temporal e a classificação clínica das notificações de sífilis em gestantes no município de Itajaí, no estado de Santa Catarina, de 2018 a 2023.

Método: Trata-se de um trabalho retrospectivo, epidemiológico, descritivo e de prevalência. Os dados do estudo foram extraídos em maio de 2026 do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), via TabNet do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). A população consistiu em todos os casos notificados de sífilis em gestantes residentes em Itajaí, no estado de Santa Catarina. As variáveis analisadas foram faixa etária das gestantes (20-39), ano de notificação (2018-2023) e classificação clínica. Os dados foram organizados em planilhas e analisados por meio de estatística descritiva simples (frequência absoluta e relativa). Por utilizar dados públicos e anônimos, o estudo dispensa aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa.

Resultados: Durante o período, registraram-se 633 casos de sífilis em gestantes de 20-39 anos em Itajaí (SC). Observou-se uma tendência de crescimento das notificações ao longo dos anos. Em 2018, registraram-se 83 casos, com um aumento de 16,8% em 2019 (n=97). O cenário manteve-se estável em 2020 com 98 notificações, seguido por um aumento de 16,3% no ano de 2021 (n=114). Em 2022, houve um recuo de 5,2% (n=108) seguido de um aumento expressivo nos casos em 2023, evidenciando 133 casos confirmados, o que representa um aumento substancial de 23,1% em relação ao ano anterior. Quanto à classificação clínica da doença no momento da notificação, houve um predomínio alarmante da forma de sífilis latente, correspondendo a 96,52% da amostra total (n=611). As demais amostras clínicas apontaram incidências baixas: sífilis primária com 2,29% dos casos (n=14), terciária com 0,65% dos casos (n=4) e a secundária representou apenas 0,16% (n=1) dos casos. Os casos ignorados ou em branco correspondem a 0,49% (n=3) das notificações analisadas.

Conclusão: Os dados indicam crescimento contínuo das notificações de sífilis em gestantes durante os últimos cinco anos, com predomínio de mulheres jovens e em idade reprodutiva. O predomínio da forma clínica latente (96,52%) revela que as gestantes foram diagnosticadas em fase assintomática, evidenciando a importância da triagem sorológica durante o pré-natal. Por outro lado, o baixo índice de diagnóstico nas fases primárias da doença (2,29%) sinaliza um atraso presente na identificação da infecção na população geral, até mesmo antes do período gravídico. Tendo em vista isso, o controle efetivo do agravo exige o fortalecimento da atenção primária pelo diagnóstico gestacional precoce e tratamento simultâneo dos parceiros sexuais para a prevenção da sífilis congênita.

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References

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BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). TABNET: Sífilis em gestantes – Casos notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Brasília, DF: DATASUS, [s.d.]. Disponível em: https://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinannet/cnv/sifilisgestantesc.def. Acesso em: 20 maio. 2026.

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Published

2026-10-15

How to Cite

1.
Walker LM, Dick SL. ANÁLISE DA EVOLUÇÃO TEMPORAL E DA CLASSIFICAÇÃO CLÍNICA DE SÍFILIS EM GESTANTES NO MUNICÍPIO DE ITAJAÍ NO PERÍODO DE 2018 A 2023. Rev. Arq Catarin Med [Internet]. 2026 Oct. 15 [cited 2026 Oct. 15];55(4):53-4. Available from: https://revista.acm.org.br/arquivos/article/view/2064