Análise temporal das notificações de sífilis adquirida em idosos no Brasil entre 2015 e 2023.
DOI:
https://doi.org/10.63845/fe9adk19Keywords:
Sífilis Adquirida, População Idosa e Atenção Primária à SaúdeAbstract
Introdução e objetivo: A sífilis adquirida permanece como um importante problema de saúde pública no Brasil, apresentando aumento expressivo das notificações nos últimos anos. Embora historicamente mais investigada em adultos jovens e gestantes, observa-se crescimento da ocorrência da doença entre idosos¹, população frequentemente negligenciada nas estratégias de prevenção, diagnóstico e rastreamento das infecções sexualmente transmissíveis. A análise da tendência temporal das notificações nessa faixa etária contribui para a compreensão do comportamento epidemiológico da doença e subsidia o planejamento de ações de vigilância e de atenção à saúde. Tem-se como objetivo, portanto, analisar a tendência temporal das notificações de sífilis adquirida em idosos no Brasil entre 2015 e 2023.
Método: Estudo observacional, retrospectivo, ecológico, de série temporal, realizado com dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN)², disponibilizados pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Foram incluídas todas as notificações de sífilis adquirida em indivíduos com 60 anos ou mais, no Brasil, entre 2015 e 2023, estratificadas nas faixas etárias de 60–64, 65–69, 70–79 e 80 anos ou mais. O ano de 2024 foi excluído por apresentar dados parciais. A tendência temporal foi analisada por regressão log-linear, com estimativa da variação percentual anual (Annual Percent Change – APC) e da variação percentual anual média (Average Annual Percent Change – AAPC). Adotou-se um nível de significância de 5%.
Resultados: No período analisado, observou-se aumento progressivo das notificações de sífilis adquirida em todas as faixas etárias de idosos. Entre indivíduos de 60–64 anos, os casos passaram de 2.426, em 2015, para 7.836, em 2023, com APC/AAPC de 12,47% ao ano (p=0,004). Na faixa de 65–69 anos, as notificações aumentaram de 1.533 para 5.698 casos, com APC/AAPC de 14,21% ao ano (p=0,003). Entre idosos de 70–79 anos, houve crescimento de 1.424 para 6.067 notificações, correspondendo à APC/AAPC de 16,31% ao ano (p=0,001). O maior incremento relativo foi observado entre indivíduos com 80 anos ou mais, cujos casos aumentaram de 468 para 2.012, com APC/AAPC de 16,57% ao ano (p=0,001).
Conclusão: Observou-se tendência crescente e estatisticamente significativa das notificações de sífilis adquirida em todas as faixas etárias de idosos no Brasil entre 2015 e 2023, com maior incremento proporcional entre indivíduos com 80 anos ou mais. Esses achados reforçam a necessidade de intensificar as ações de prevenção, educação em saúde, diagnóstico e tratamento na Atenção Primária à Saúde, visando ampliar o rastreamento, interromper a cadeia de transmissão e promover o cuidado integral da população idosa³.
References
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Boletim Epidemiológico de Sífilis 2024. Brasília: Ministério da Saúde, 2024.
BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN): casos de sífilis adquirida no Brasil, 2015–2023. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/. Acesso em: 15 jul. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
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