PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE ACIDENTES POR ANIMAIS PEÇONHENTOS EM SANTA CATARINA ENTRE OS ANOS DE 2016 E 2025.
DOI:
https://doi.org/10.63845/gdgy4915Keywords:
Acidentes por animais peçonhentos, Epidemiologia, Saúde pública, Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), Santa CatarinaAbstract
Introdução/objetivo: Os acidentes por animais peçonhentos representam importante problema de saúde pública no Brasil devido à elevada frequência e ao potencial de causar morbimortalidade, especialmente quando o atendimento é tardio. Desse modo, o objetivo do estudo foi analisar o perfil epidemiológico de acidentes por animais peçonhentos no estado de Santa Catarina (SC), no período de 2016 a 2025.
Métodos: Trata-se de um estudo retrospectivo, transversal, descritivo, realizado a partir de dados extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), obtidos por meio do DATASUS, referentes ao período de 2016 a 2025. Foram analisados ano do acidente, faixa etária, tempo até o atendimento, soroterapia, classificação clínica e evolução.
Resultados: Entre 2016 e 2025, SC registrou 81.814 acidentes por animais peçonhentos. Houve crescimento das notificações entre 2016 e 2019, seguido de redução em 2020 e 2021, possivelmente relacionada à COVID-19 e à subnotificação. A partir de 2023, os registros voltaram aos níveis pré-pandemia, com 8.856 casos, subindo para 9.275 em 2024 e mantendo-se elevado em 2025, com 9.155 registros. Os adultos em idade produtiva (faixa etária de 20 a 59 anos) correspondem a 61% dos casos (contando com 49.997 notificações), enquanto crianças e adolescentes até os 19 anos representam 20,5 % dos casos, e pessoas acima de 60 anos 18,5% dos casos. Um indicador importante para o prognóstico de um acidente peçonhento é o tempo entre a picada e o atendimento médico, pois o tratamento precoce reduz a gravidade do envenenamento, previne complicações e diminui o risco de óbito. Um volume significativo de pacientes consegue atendimento precoce; 26.634 pessoas foram atendidas em até 1 hora e 16.751 entre 1 e 3 horas após o acidente. O atendimento nas primeiras três horas é ideal para a administração de soro, caso necessário, e para evitar complicações sistêmicas. Por outro lado, 19.096 foram atendidos após 24 horas. A maioria dos acidentes por animais peçonhentos em SC foi classificada como leve (71.385 pacientes, representando 87,3% dos casos), seguida pelos casos moderados (7.934) e graves (615), justificando a baixa utilização de soroterapia -reservada para maior gravidade-, administrada em apenas 6.048 casos. Além disso, 2.150 notificações apresentaram o campo de soroterapia em branco, indicando necessidade de aprimorar o preenchimento das fichas. A evolução foi favorável, 95,5% evoluíram para cura (78.124 pacientes) e baixa letalidade, registrando 57 óbitos por agravo.
Conclusão: Em suma, os dados do Datasus mostram que SC apresenta alta incidência de acidentes por animais peçonhentos, predominantemente leves e concentrados na população adulta. O sistema de saúde demonstra boa capacidade de atendimento, com elevadas taxas de cura. Dessa forma, destaca-se a agilidade no acesso ao serviço de saúde como pilar para reduzir a morbimortalidade associada.
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