Tendência temporal dos transplantes de órgãos, tecidos e células no Brasil entre 2015 e 2025
DOI:
https://doi.org/10.63845/c0889382Abstract
Introdução e objetivo: O transplante de órgãos, tecidos e células é tratamento definitivo para diversas condições, e o Brasil possui um dos maiores programas públicos de transplantes, financiado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).1,2 Persistem desafios como escassez de doadores, desigualdades regionais e os impactos da COVID-19. O estudo objetivou analisar a tendência temporal dos transplantes de órgãos, tecidos e células no Brasil entre 2015 e 2025.
Método: Estudo ecológico de séries temporais com dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), de 2015 a 2025. Foram avaliadas taxas de transplantes por 100 mil habitantes, com base nas estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As tendências foram estimadas por regressão Joinpoint, com cálculo da variação percentual anual (APC), variação percentual anual média (AAPC) e intervalos de confiança de 95% (IC95%), considerando significância de 5%.
Resultados: Os transplantes renais mantiveram estabilidade entre 2015 e 2021 (APC=-1,94; IC95%: -14,66 a 16,12; p=0,285) e entre 2021 e 2025 (APC=5,86; IC95%: -8,38 a 23,13; p=0,120), sem tendência global (AAPC=1,11; IC95%: -1,80 a 4,11; p=0,347). Os transplantes hepáticos permaneceram estáveis entre 2015 e 2022 (APC=1,48; IC95%: -7,27 a 16,63; p=0,812) e entre 2022 e 2025 (APC=4,71; IC95%: -6,89 a 14,77; p=0,143), com tendência global crescente (AAPC=2,44; IC95%: 0,25 a 4,91; p=0,027). Os transplantes de córnea mantiveram estabilidade entre 2015 e 2020 (APC=-5,92; IC95%: -23,26 a 3,89; p=0,139) e entre 2020 e 2025 (APC=8,26; IC95%: -0,52 a 31,98; p=0,061), e globalmente (AAPC=0,90; IC95%: -2,61 a 4,65; p=0,697). Para os transplantes de medula óssea, observou-se aumento entre 2015 e 2022 (APC=5,27; IC95%: 3,12 a 12,84; p=0,003), seguido de estabilidade entre 2022 e 2025 (APC=-6,77; IC95%: -15,63 a 0,10; p=0,055), em tendência global crescente (AAPC=1,50; IC95%: 0,01 a 3,60; p=0,040). Os transplantes cardíacos permaneceram estáveis entre 2015 e 2021 (APC=-1,61; IC95%: -13,82 a 12,36; p=0,317) e entre 2021 e 2025 (APC=6,86; IC95%: -4,76 a 22,97; p=0,078), sem tendência global (AAPC=1,69; IC95%: -0,88 a 4,25; p=0,176). Os transplantes pulmonares apresentaram estabilidade entre 2015 e 2017 (APC=21,33; IC95%: -4,14 a 57,51; p=0,135) e entre 2017 e 2025 (APC=-3,16; IC95%: -23,06 a 7,07; p=0,145), com estabilidade global (AAPC=1,31; IC95%: -4,18 a 5,99; p=0,675). Os transplantes de pâncreas apresentaram aumento entre 2015 e 2019 (APC=7,73; IC95%: 1,54 a 26,89; p=0,012), seguido de redução entre 2019 e 2025 (APC=-3,77; IC95%: -13,94 a -0,61; p=0,021), com estabilidade global (AAPC=0,68; IC95%: -1,99 a 3,43; p=0,616).
Conclusão: Os transplantes apresentaram tendências heterogêneas entre 2015 e 2025, com crescimento significativo apenas para fígado e medula óssea. Os pontos de inflexão sugerem influência da COVID-19 e de mudanças nas políticas de transplantes, reforçando a necessidade de ampliar e qualificar a oferta no Brasil.
References
SOUZA, M. C. et al. Gestão de transplantes no Brasil: uma análise temporal de investimentos financeiros e procedimentos. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v. 58, e20240039, 2024.
BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Brasília, DF: Ministério da Saúde, [2026]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/snt. Acesso em: 30 jun. 2026.
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