VACINAÇÃO CONTRA O HPV: ATUALIZAÇÃO DAS ESTRATÉGIAS DE IMUNIZAÇÃO NO BRASIL E SUA RELEVÂNCIA PARA A SAÚDE DA MULHER

Authors

  • Eduarda Flores Sangbusch Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Campus Curitibanos, SC, Brasil
  • Patricia Daniele Hoffmann de Souza Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Campus Curitibanos, SC, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.63845/78wbyg96

Keywords:

Papilomavírus Humano, Cobertura Vacinal, Saúde da Mulher, Neoplasias do Colo do Útero

Abstract

Introdução: A infecção pelo papilomavírus humano (HPV) é a infecção sexualmente transmissível mais prevalente no mundo e constitui o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer do colo do útero, além de estar associada a neoplasias de vulva, vagina, ânus e orofaringe1. A vacinação representa a principal estratégia de prevenção primária dessas doenças1. Nos últimos anos, recomendações internacionais e políticas públicas brasileiras vêm atualizando as estratégias de imunização, buscando ampliar a cobertura vacinal e reduzir a incidência do câncer do colo do útero como problema de saúde pública2.

Objetivo: Revisar a literatura disponível acerca das recentes atualizações das estratégias de vacinação contra o HPV no Brasil e suas implicações para a promoção da saúde da mulher.

Metodologia: Trata-se de uma revisão da literatura de caráter descritivo. Foram realizadas buscas na base de dados PubMed, utilizando os descritores “HPV vaccination” e “Human papillomavirus”. Também foram consultados documentos oficiais do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Foram incluídos estudos em português e inglês, no período de 2020 a 2026, que abordassem estratégias de imunização, efetividade vacinal, cobertura vacinal e políticas públicas relacionadas ao HPV.

Resultados: A literatura demonstra elevada efetividade da vacinação contra o HPV na prevenção de infecções persistentes pelos subtipos oncogênicos, reduzindo significativamente a incidência de lesões precursoras e do câncer do colo do útero3. Além da proteção individual, a vacinação contribui para o desenvolvimento da imunidade coletiva ao reduzir a circulação viral, a transmissão do HPV e, consequentemente, a prevalência da infecção na população³. Entre as principais atualizações recentes destacam-se a adoção do esquema de dose única para indivíduos imunocompetentes na faixa etária recomendada e, no contexto brasileiro, a prorrogação da estratégia de resgate vacinal até 31 de dezembro de 2026, destinada a adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que não receberam a vacina na idade preconizada2. Essa medida busca ampliar a cobertura vacinal, reduzir o número de indivíduos suscetíveis à infecção e aproximar o país das metas propostas pela Organização Mundial da Saúde para eliminação do câncer do colo do útero4. Entretanto, estudos apontam que a hesitação vacinal, as desigualdades regionais e as dificuldades de acesso aos serviços de saúde permanecem como importantes obstáculos para o sucesso dessas estratégias5.

Conclusão: As recentes atualizações das estratégias de vacinação contra o HPV fortalecem as ações de prevenção do câncer do colo do útero e representam importante avanço para a saúde pública brasileira1,2. A ampliação das oportunidades de imunização, especialmente por meio da estratégia de resgate para jovens não vacinados, tem potencial para aumentar a cobertura vacinal e reduzir a carga das doenças relacionadas ao HPV2. Contudo, a efetividade dessas medidas depende da continuidade das campanhas educativas, da qualificação dos serviços de saúde e da adesão da população às estratégias de vacinação3.

0 0

References

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis – IST [recurso eletrônico]. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022. 211 p. Disponível em: https://www.gov.br/aids/pt-br/central-de-conteudo/pcdts/2022/ist/pcdt-ist-2022_isbn-1.pdf.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Ofício Circular nº 271/2026/SVSA/MS: informa sobre ampliação do período de realização da Estratégia de Resgate dos Não Vacinados com a Vacina HPV na faixa etária de 15 a 19 anos, até 31 de dezembro de 2026. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em: https://prefeitura.poa.br/sites/default/files/usu_doc/hotsites/sms/vigilancia-em-saude/OFICIO%20CIRCULAR%20271-2026%20-%20HPV%20at%C3%A9%2031.12.2026.pdf.

BECERRA, Carolina et al. Impact of human papillomavirus vaccines in the reduction of infection, precursor lesions, and cervical cancer: a systematic literature review. Human Vaccines & Immunotherapeutics, v. 21, n. 1, 2025. DOI: 10.1080/21645515.2025.2497608. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12153211/.

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Global strategy to accelerate the elimination of cervical cancer as a public health problem. Geneva: World Health Organization, 2020. ISBN 978-92-4-001410-7 (electronic version). Disponível em: https://iris.who.int/handle/10665/336583.

LEITE, Gabriela de Souza et al. Barriers to HPV vaccination in Brazil: a systematic review. Vaccines, Basel, v. 13, n. 3, art. 271, 2025. DOI: 10.3390/vaccines13030271. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12887902/.

Published

2026-10-15

How to Cite

1.
Sangbusch EF, Souza PDH de. VACINAÇÃO CONTRA O HPV: ATUALIZAÇÃO DAS ESTRATÉGIAS DE IMUNIZAÇÃO NO BRASIL E SUA RELEVÂNCIA PARA A SAÚDE DA MULHER. Rev. Arq Catarin Med [Internet]. 2026 Oct. 15 [cited 2026 Oct. 15];55(4):153-4. Available from: https://revista.acm.org.br/arquivos/article/view/2114