TENDÊNCIA TEMPORAL E IMPACTO DA PANDEMIA DE COVID-19 NA MORTALIDADE POR PNEUMONIA E INFLUENZA EM CRIANÇAS MENORES DE CINCO ANOS NO BRASIL (2010–2024)
ANÁLISE DE SÉRIE TEMPORAL INTERROMPIDA COM REGRESSÃO OLS E ERROS PADRÃO CORRIGIDOS POR NEWEY-WEST
DOI:
https://doi.org/10.63845/1gt1fn40Keywords:
Pneumonia, influenza, mortalidade infantil, série temporal, COVID-19, epidemiologia, BrasilAbstract
Introdução: A mortalidade por pneumonia e influenza em menores de cinco anos representa indicador sensível da qualidade dos cuidados primários de saúde infantil. A pandemia de COVID-19 introduziu ruptura estrutural abrupta nessa série histórica, tornando essencial a caracterização do impacto pandêmico e da trajetória de recuperação pós-pandêmica. Objetivo: Analisar a tendência temporal da mortalidade por pneumonia e influenza (CID-10: J10–J18) em crianças de 0 a 4 anos no Brasil entre 2010 e 2024, por macrorregião geográfica, e avaliar o impacto da pandemia de COVID-19 por meio de análise de série temporal interrompida (ITS) com corte em 2020. Métodos: Estudo ecológico de série temporal com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS). Regressão log-linear com correção de autocorrelação (HAC-SE, lag-1) para estimativa da variação percentual anual (VPA). ITS com modelo segmentado [yₜ = β₀ + β₁·t + β₂·Dₜ + β₃·(t−T₀)·Dₜ + εₜ] e construção de curva contrafactual para estimativa do déficit/excesso de óbitos em 2020–2024. Resultados: Foram registrados 25.131 óbitos entre 2010 e 2024 (média: 1.675/ano). A tendência pré-COVID (2010–2019) foi de declínio significativo e sustentado: VPA = −3,23%/ano (IC95%: −4,91 a −1,53; p = 0,003) no Brasil total, com significância em cinco das seis macrorregiões. Em 2020, os óbitos caíram 47,3% abaixo da tendência esperada (déficit de −717 óbitos; total 2020–2021: −1.285 óbitos). A ITS identificou mudança de slope pós-2020 significativa [b₃ = +284,8/ano; p = 0,008], com excesso de +985 óbitos acima da tendência em 2022–2024. Conclusão: A mortalidade por pneumonia e influenza em menores de cinco anos apresentava queda estrutural robusta antes da pandemia, interrompida abruptamente em 2020 pelo efeito protetor das medidas de distanciamento social. A recuperação pós-pandêmica produziu excesso de óbitos acima da tendência esperada em 2022–2024, sinalizando efeito rebote com acúmulo de susceptíveis e possível deterioração da cobertura vacinal contra pneumococo e influenza durante a pandemia.
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