ANTIAGREGANTES PLAQUETÁRIOS E ANTICOAGULANTES E SUAS INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS E ALIMENTARES: UM ESTUDO EM UM HOSPITAL DE FLORIANÓPOLIS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.63845/pzq11753

Palavras-chave:

Sangramentos, Antitrombóticos, Anticoagulantes, Interações Medicamentosas, Varfarina

Resumo

Introdução: A terapia com anticoagulantes e antiagregantes plaquetários está associada a risco de sangramento, potencialmente agravado por interações medicamentosas e alimentares, especialmente em pacientes idosos e em polifarmácia. Objetivo: Descrever o perfil clínico de pacientes em uso de antitrombóticos e identificar a ocorrência de sangramentos autorreferidos e potenciais interações medicamentosas e alimentares. Métodos: Estudo observacional, transversal e exploratório, realizado em hospital de média complexidade em Florianópolis (SC), entre setembro/2021 e maio/2022. Foram incluídos 19 pacientes adultos em uso de anticoagulantes e/ou antiagregantes plaquetários. Os dados foram coletados por questionário estruturado não validado, com análise descritiva. As interações medicamentosas foram identificadas pela base eletrônica (Drugs.com). Resultados: Varfarina e dabigatrana foram os anticoagulantes mais utilizados. A maior parte dos participantes eram do sexo masculino (73,7%), com idade entre 61–70 anos. Oito pacientes (42,1%) relataram algum episódio de sangramento, em diferentes localizações. A ocorrência de sangramento foi mais frequente entre pacientes em polimedicação (≥3 fármacos) e com menor conhecimento autorreferido sobre interações. Conclusão: Em uma análise exploratória, observou-se elevada frequência de sangramentos menores e potenciais interações medicamentosas. Os achados devem ser interpretados com cautela, mas reforçam a importância da orientação ao paciente e do acompanhamento farmacoterapêutico.

Biografia do Autor

  • Gisele Cristina Dametto, Universidade Federal de Santa Catarina

    Graduada em Farmácia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) (2012), Pós-graduada pelo Programa de Residência Integrada Multiprofissional em Saúde - Atenção em Alta Complexidade em Saúde (HU UFSC) (2015). No mesmo período da Residência atuou como pesquisadora no Laboratório de Oncologia Experimental e Hemopatias - UFSC (LOEH). Entre 2015 e 2019 exerceu atividades como Farmacêutica analista clínica no Laboratório de Marcadores Celulares do Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (HEMOSC) na área de Onco-hematologia. Desde 2019 é integrante do Serviço de Saúde do Exército Brasileiro como Farmacêutica no laboratório de Análises Clínicas do Hospital de Guarnição de Florianópolis. Mestra em Farmacologia pelo Programa de Mestrado Profissional de Farmacologia da Universidade Federal de Santa Catarina (2022).

  • Cibele Priscila Dametto, Universidade de Barcelona

    Graduada em Administração pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) (2013). Mestranda em Transformações Sociais e Inovação no Departamento de Sociologia da Universidade de Barcelona – UB, tem experiencia em pesquisas qualitativas e quantitaivas e gestão de projetos de transformação organizacional. Atualmente desenvolve sua pesquisa acadêmica em temas de Ciberativismo e Inovação Social.

  • Regina de Sordi, Universidade Federal de Santa Catarina

    Graduação em Farmácia com habilitação em Análises Clínicas, Mestrado e Doutorado em Farmacologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Realizou estágio Pós-Doutoral na área de Farmacologia Cardiovascular e Inflamação no William Harvey Research Institute, Queen Mary University of London (2013 - 2015), onde foi Marie Curie fellow (2014 - 2015). Foi bolsista PNPD na área de Biologia Celular e Molecular na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG; 2015 - 2018). Atualmente é Professora Adjunta do Departamento de Farmacologia da UFSC e membro permanente do Programa de Pós-Graduação em Farmacologia e do Mestrado Profissional em Farmacologia. Tem experiência na área de Farmacologia Cardiovascular e Inflamação. O principal interesse é o entendimento dos processos fisiopatológicos relacionados a doenças cardiovasculares e renais e a busca de novos alvos terapêuticos para a disfunção de órgãos associada ao trauma / choque hemorrágico e sepse / choque séptico.

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Publicado

04/02/2026

Edição

Seção

Artigo original

Como Citar

ANTIAGREGANTES PLAQUETÁRIOS E ANTICOAGULANTES E SUAS INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS E ALIMENTARES: UM ESTUDO EM UM HOSPITAL DE FLORIANÓPOLIS. (2026). Arquivos Catarinenses De Medicina, 54(3), 71-82. https://doi.org/10.63845/pzq11753