Potencial inibitório de extratos de Cannabis sativa var. 'FedTonic' sobre a α-amilase: evidências in vitro e perspectivas translacionais para o diabetes mellitus tipo 2

Autores

  • Dieferson Felipe Andrighetti [Universidade Federal de Santa Catarina 1]
  • Rayssa Cavalli [Universidade Federal de Santa Catarina 1]
  • Cristian Soldi [Universidade Federal de Santa Catarina 1]
  • Erik Amazonas de Almeida [Universidade Federal de Santa Catarina 1]
  • Graciele More Manica Benetti [Universidade Federal de Santa Catarina 1]

DOI:

https://doi.org/10.63845/8nrh8b31

Palavras-chave:

Cannabis sativa, α-amilase, diabetes mellitus tipo 2, hiperglicemia pós-prandial, canabidiol

Resumo

Introdução e objetivo: O diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é condição crônica de elevado impacto em saúde pública, caracterizado por resistência à insulina e hiperglicemia progressiva. O controle da hiperglicemia pós-prandial constitui alvo terapêutico relevante, e a inibição da α-amilase pancreática — enzima central na digestão de carboidratos — representa estratégia farmacológica estabelecida, exemplificada pela acarbose. Contudo, seus efeitos adversos gastrointestinais limitam a adesão terapêutica. Nesse contexto, compostos bioativos de Cannabis sativa, especialmente canabinoides como o canabidiol (CBD), têm despertado interesse por potenciais efeitos sobre o metabolismo glicídico. Este estudo teve como objetivo avaliar, in vitro, a atividade inibitória de extratos etanólicos de C. sativa var. 'FedTonic' sobre a α-amilase pancreática.

Método: Trabalho prospectivo, do tipo experimental. Extratos etanólicos full spectrum foram obtidos de inflorescências de três matrizes da variedade 'FedTonic' por extração a frio em etanol absoluto (−15 °C por 30 minutos), seguida de rotaevaporação. O perfil fitoquímico foi determinado por cromatografia líquida de alta eficiência acoplada à espectrometria de massas sequencial (HPLC-MS/MS), evidenciando um quimiotipo canabidiol-dominante, (CBD; 28,79 ± 0,75%; 289,8 ± 13,03 µg/mg) e baixo teor de tetrahidrocanabinol (THC; 1,4 ± 0,05%; 15,54 ± 0,67 µg/mg). A atividade inibitória sobre a α-amilase pancreática suína (Sigma-Aldrich®) foi avaliada por ensaio espectrofotométrico em faixa de concentração de 0,001 a 10 µg/mL, utilizando acarbose como controle positivo. Os resultados foram expressos em percentual de inibição enzimática e analisados por análise de variância (ANOVA) para medidas repetidas, seguida do teste de Tukey (p<0,05).

Resultados: Os extratos demonstraram elevada atividade inibitória em toda a faixa de concentrações avaliada, com percentuais superiores a 70%. A maior inibição foi observada na concentração de 1 µg/mL com cerca de 85% de inibição enzimática, apresentando desempenho comparável ao da acarbose nas condições do ensaio (90%). Mesmo na menor concentração testada (0.001 µg/ml), observou-se aproximadamente 75% de inibição, evidenciando atividade biológica expressiva em baixas concentrações. Esse perfil supera os valores de concentração inibitória mínima de 50% (IC50) reportados na literatura (entre 16,36 e 23,53 µg/ml) para extratos de sementes, folhas e raízes da planta. Essa diferença pode decorrer do uso de inflorescências frescas além de indicar que a preservação de compostos termolábeis pelo método de extração a frio otimizou a potência do fitocomplexo. Ressalva-se que comparações quantitativas demandam cautela devido a disparidades metodológicas. Ademais, a literatura é majoritariamente in vitro e em modelos animais: a ponte translacional para humanos — demonstração de que concentrações inibitórias são atingíveis no lúmen intestinal após administração oral — ainda não foi estabelecida por ensaios clínicos.

Conclusão: O extrato de Cannabis sativa var. 'FedTonic', com perfil CBD-dominante e baixo THC, exibiu expressiva atividade inibitória sobre a α-amilase in vitro, inclusive em baixas concentrações. Os resultados sustentam a hipótese de que compostos presentes no extrato podem modular enzimas associadas à hiperglicemia pós-prandial. Contudo, a ausência de evidências clínicas diretas indica a necessidade de estudos em modelos celulares, in vivo e, futuramente, ensaios clínicos para avaliar sua eficácia e segurança.

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Referências

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Publicado

15/10/2026

Como Citar

1.
Andrighetti DF, Cavalli R, Soldi C, Almeida EA de, Benetti GMM. Potencial inibitório de extratos de Cannabis sativa var. ’FedTonic’ sobre a α-amilase: evidências in vitro e perspectivas translacionais para o diabetes mellitus tipo 2. Rev. Arq Catarin Med [Internet]. 15 de outubro de 2026 [citado 15 de outubro de 2026];55(4):9-10. Disponível em: https://revista.acm.org.br/arquivos/article/view/2042