Tendência temporal da adequação do pré-natal em Santa Catarina entre 2014 e 2024

Autores

  • Alysson Quirino Costa
  • Murilo Martins Cordeiro
  • Quézia Lima Batista
  • Vinicius Severgnini Arruda
  • Franciele Cascaes da Silva

DOI:

https://doi.org/10.63845/6872xj19

Resumo

Introdução e objetivo: A assistência pré-natal adequada desempenha papel fundamental na saúde materno-infantil, pois possibilita a detecção e a intervenção precoce de situações de risco durante a gestação, sendo considerada um importante indicador do prognóstico ao nascimento¹. Diante disso, objetivou-se analisar a tendência temporal da adequação do pré-natal em Santa Catarina entre 2014 e 2024.

Método: Estudo ecológico retrospectivo de séries temporais, com dados da adequação quantitativa do pré-natal provenientes do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC/DATASUS)². A adequação foi classificada pelo índice de Kotelchuck, considerando o mês de início do pré-natal e o número de consultas. Foram calculadas as proporções de cada categoria e analisada a tendência temporal por regressão Joinpoint, estimando-se a variação percentual anual (APC) e a variação percentual anual média (AAPC), com intervalos de confiança de 95% (IC95%). Adotou-se um nível de significância de 5% (p<0,05).

Resultados: A proporção de gestantes sem pré-natal reduziu significativamente entre 2014–2018 (APC=-7,57; IC95%: -11,48 a -3,49; p<0,001), seguida de aumento entre 2018–2024 (APC=5,95; IC95%: 3,12–8,87; p<0,001), com tendência geral estável no período (AAPC=0,32; IC95%: -1,87 a 2,58; p=0,760). O pré-natal inadequado apresentou redução entre 2014–2019 (APC=-3,59; IC95%: -6,75 a -2,31; p=0,003) e estabilidade entre 2019–2024 (APC=-0,82; IC95%: -2,23 a 2,91; p=0,520), com redução no período total (AAPC=-2,22; IC95%: -2,82 a -1,65; p<0,001). O pré-natal intermediário manteve-se estável entre 2014–2022 (APC=-3,46; IC95%: -5,50 a 2,31; p=0,110), seguido de redução entre 2022–2024 (APC=-13,02; IC95%: -20,37 a -4,21; p<0,001), com redução geral (AAPC=-5,45; IC95%: -6,93 a -3,70; p<0,001). O pré-natal adequado reduziu entre 2014–2018 (APC=-7,02; IC95%: -11,61 a -3,53; p<0,001) e permaneceu estável entre 2018–2024 (APC=-4,75; IC95%: -9,47 a 1,02; p=0,089), com redução no período (AAPC=-5,66; IC95%: -6,73 a -4,58; p<0,001). Já o pré-natal mais que adequado aumentou entre 2014–2017 (APC=3,20; IC95%: 1,80–6,44; p<0,001) e permaneceu estável entre 2017–2024 (APC=1,31; IC95%: -0,25 a 1,80; p=0,064), com aumento no período total (AAPC=1,87; IC95%: 1,44–2,39; p<0,001).

Conclusão: Entre 2014 e 2024, observou-se mudança no perfil da adequação do pré-natal em Santa Catarina, com aumento da proporção de pré-natal mais que adequado, apesar do crescimento das gestantes sem acompanhamento a partir de 2018, evidenciando avanços na assistência pré-natal, mas também a persistência de desigualdades no acesso aos serviços de saúde, reforçando a necessidade de fortalecer as políticas públicas voltadas à captação precoce das gestantes e à ampliação do acesso ao pré-natal de qualidade.

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Referências

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento. Brasília: Ministério da Saúde; 2012 . p. 21, 33. (Cadernos de Atenção Básica, nº 33); [acesso em 26 jun. 2026].Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/rami/testes-rapidos-de-hiv-e-sifilis-na-atencao-basica/diagnostico/caderno_33.pdf

Brasil. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do SUS (DATASUS). Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC): Nascidos vivos - Santa Catarina [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; [acesso em 1 jul. 2026]. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinasc/cnv/nvsc.def

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Publicado

15/10/2026

Como Citar

1.
Costa AQ, Cordeiro MM, Batista QL, Arruda VS, Silva FC da. Tendência temporal da adequação do pré-natal em Santa Catarina entre 2014 e 2024. Rev. Arq Catarin Med [Internet]. 15 de outubro de 2026 [citado 15 de outubro de 2026];55(4):97-8. Disponível em: https://revista.acm.org.br/arquivos/article/view/2086