TENDÊNCIA TEMPORAL DAS INTERNAÇÕES POR ABORTO ESPONTÂNEO NO BRASIL ENTRE 2015 E 2025

Autores

  • Letícia Jochem
  • Franciele Cascaes da Silva

DOI:

https://doi.org/10.63845/3c6ax864

Resumo

Introdução e objetivo: O abortamento é uma das complicações gestacionais mais frequentes e importante problema de saúde pública, com impacto na saúde física e mental das mulheres1,2. Estima-se que ocorra em 10% a 15% das gestações clínicas2-4. Objetivou-se analisar a tendência temporal das internações por aborto espontâneo no Brasil entre 2015 e 2025.

Método: Estudo ecológico de séries temporais, que analisou as taxas de aborto espontâneo no Brasil e regiões entre 2015 e 2025. As taxas foram calculadas considerando mulheres em idade fértil (10 a 49 anos), a partir dos registros do SIH/SUS (CID‑10: O03) e das projeções populacionais do IBGE, expressas por 10.000 mulheres. A tendência temporal foi avaliada pelo Joinpoint Regression Program, estimando APC e AAPC com IC95% e p‑valor, adotando nível de significância de 5%.

Resultado: No Brasil, houve estabilidade das taxas de internação por aborto espontâneo entre 2015–2018 (APC=−0,35; IC95%:−2,37 a 2,79; p=0,766), redução significativa entre 2018–2023 (APC=−6,30; IC95%:−8,47 a −5,25; p<0,001) e nova estabilidade entre 2023–2025 (APC=−0,93; IC95%:−4,52 a 2,15; p=0,400), com queda significativa no período (AAPC=−3,49; IC95%:−4,11 a −2,96; p<0,001). No Norte, observaram-se estabilidade entre 2015–2018 (APC=0,29; IC95%: −2,84 a 5,77; p=0,8074) e 2023–2025 (APC=4,59; IC95%:−2,25 a 9,84; p=0,270) e redução significativa entre 2018–2023 (APC=−7,85; IC95%:−11,54 a −6,34; p<0,001), com AAPC=−3,05 (IC95%:−4,06 a −2,17; p<0,001). No Nordeste, houve estabilidade entre 2015–2018 (APC=0,61; IC95%:−2,21 a 5,64; p=0,637) e 2023–2025 (APC=−3,13; IC95%:−8,10 a 1,43; p=0,143), redução significativa entre 2018–2023 (APC=−7,03; IC95%:−10,32 a −5,13; p<0,001) e AAPC=−4,02 (IC95%:−5,00 a −3,17; p<0,001). No Sudeste, verificaram-se estabilidade entre 2015–2017 (APC=0,76; IC95%:−1,76 a 2,65; p=0,603) e 2023–2025 (APC=−0,08; IC95%:−3,10 a 1,97; p=0,874), redução significativa entre 2017–2023 (APC=−5,46; IC95%:−6,68 a −4,96; p<0,001) e AAPC=−3,18 (IC95%:−3,62 a −2,82; p<0,001). No Sul, houve estabilidade entre 2015–2017 (APC=4,40; IC95%:−0,00 a 8,60; p=0,050), redução significativa entre 2017–2020 (APC=−5,54; IC95%:−7,56 a −3,95; p<0,001) e 2020–2025 (APC=−4,26; IC95%:−7,52 a −0,77; p=0,016), com AAPC=−2,98 (IC95%:−3,77 a −2,20; p<0,001). No Centro-Oeste, observaram-se estabilidade entre 2015–2017 (APC=−6,50; IC95%:−13,54 a 4,09; p=0,140), 2017–2021 (APC=−3,22; IC95%:−8,83 a 5,05; p=0,493) e 2021–2025 (APC=1,54; IC95%:−8,66 a 11,04; p=0,427), com redução significativa no período (AAPC=−2,02; IC95%:−4,01 a −0,01; p=0,049).

Conclusão: As taxas de internação por aborto espontâneo apresentaram tendência de queda no Brasil e em todas as regiões entre 2015 e 2025. Entretanto, o abortamento permanece um importante problema de saúde pública, reforçando a necessidade de qualificar a assistência pré-natal e o cuidado integral à saúde da mulher.

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Referências

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Publicado

15/10/2026

Como Citar

1.
Jochem L, Silva FC da. TENDÊNCIA TEMPORAL DAS INTERNAÇÕES POR ABORTO ESPONTÂNEO NO BRASIL ENTRE 2015 E 2025. Rev. Arq Catarin Med [Internet]. 15 de outubro de 2026 [citado 15 de outubro de 2026];55(4):103-4. Disponível em: https://revista.acm.org.br/arquivos/article/view/2089