Violências autoprovocadas: análise temporal da incidência e perfil epidemiológico em Santa Catarina, 2015–2025

Autores

  • Gabriel Finkler de Souza
  • Ana Bernardi Heyse

DOI:

https://doi.org/10.63845/7t1tn094

Palavras-chave:

Tentativa de Suicídio, Epidemiologia, Vigilância em Saúde Pública, Sistemas de Informação em Saúde, Saúde Mental

Resumo

Introdução e objetivo: As violências autoprovocadas, que incluem autolesões sem intenção suicida e tentativas de suicídio, constituem um importante problema de saúde pública devido à sua elevada e crescente ocorrência. No Brasil, o número de notificações aumentou de aproximadamente 39 mil, em 2015, para 212 mil, em 2025, com maior incidência entre mulheres e indivíduos de 15 a 29 anos. Diante de sua relação com determinantes sociais e do potencial de prevenção, este estudo objetivou analisar a tendência temporal da incidência e descrever o perfil epidemiológico das violências autoprovocadas nas macrorregiões de saúde de Santa Catarina entre 2015 e 2025.

Método: Estudo ecológico transversal de série temporal, retrospectivo, com dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/DATASUS). Foram calculadas taxas de incidência e frequências relativas. A tendência temporal foi avaliada por regressão de Prais-Winsten, estimando-se a variação percentual anual (Annual Percentage Change — APC) e os respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%). As análises foram realizadas no software R (versão 4.5.3) e estratificadas por macrorregião, sexo e faixa etária.

Resultados: A incidência de violências autoprovocadas no estado aumentou de 42,6 para 139,5 casos por 100.000 habitantes entre 2015 e 2025, representando incremento de 227% (APC = 11,55; IC95%: 6,50–16,86; p < 0,001). Observou-se tendência crescente significativa em todas as macrorregiões, exceto no Grande Oeste, com maiores incrementos no Meio Oeste (APC = 20,15; IC95%: 7,69–34,05; p = 0,004) e na Serra Catarinense (APC = 18,37; IC95%: 4,91–33,56; p = 0,011). Houve aumento significativo em ambos os sexos, mais acentuado entre mulheres, responsáveis por 68% das notificações (APC = 12,13; IC95%: 6,69–17,87; p < 0,001). A maior incidência ocorreu entre adolescentes de 15 a 19 anos (239,1 casos por 100.000 habitantes), seguida pelas faixas de 20 a 29 e de 10 a 14 anos. O crescimento foi significativo em todas as faixas etárias, exceto entre 0 e 4 anos, destacando-se os grupos de 10 a 14 anos (APC = 19,27; IC95%: 11,58–27,47; p < 0,001) e de 15 a 19 anos (APC = 18,51; IC95%: 9,43–28,31; p < 0,001). A maioria dos casos ocorreu na residência (89%), em indivíduos com ensino médio completo (24%), predominando os métodos de envenenamento (62%) e de lesão por objeto perfurocortante (18%).

Conclusão: Observou-se tendência crescente da incidência de violências autoprovocadas em Santa Catarina entre 2015 e 2025, especialmente entre mulheres e adolescentes, com comportamento heterogêneo entre as macrorregiões de saúde. O padrão identificado reforça a importância do monitoramento epidemiológico contínuo e da implementação de estratégias integradas de prevenção, vigilância e atenção à saúde mental, com foco nos grupos mais vulneráveis e nas diferenças regionais.

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Referências

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Publicado

15/10/2026

Como Citar

1.
Souza GF de, Heyse AB. Violências autoprovocadas: análise temporal da incidência e perfil epidemiológico em Santa Catarina, 2015–2025. Rev. Arq Catarin Med [Internet]. 15 de outubro de 2026 [citado 15 de outubro de 2026];55(4):117-8. Disponível em: https://revista.acm.org.br/arquivos/article/view/2096