TENDÊNCIA TEMPORAL DAS INTERNAÇÕES POR ESQUIZOFRENIA E TRANSTORNOS ESQUIZOTÍPICOS E DELIRANTES NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE, BRASIL, 2018–2025
DOI:
https://doi.org/10.63845/yabc7t35Palavras-chave:
Esquizofrenia, Hospitalização, Saúde MentalResumo
Introdução: A esquizofrenia e os transtornos esquizotípicos e delirantes são psicoses crônicas de início precoce, associadas a incapacidade funcional e estigma (OWEN; SAWA; MORTENSEN, 2016), além de excesso de mortalidade e redução da expectativa de vida (MCGRATH et al., 2008). Estima-se que cerca de 21 milhões de pessoas vivam com esquizofrenia no mundo, com carga de doença crescente e sistemas de saúde ainda despreparados para essa demanda (CHARLSON et al., 2018). No Brasil, mesmo após a Reforma Psiquiátrica e a expansão da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), as internações hospitalares por esses transtornos permanecem como importante indicador da demanda assistencial em saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS).
Objetivo: Analisar o perfil epidemiológico das internações hospitalares por esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e delirantes no Brasil, no período de 2018 a 2025.
Método: Trata-se de um estudo retrospectivo, do tipo transversal, descritivo, realizado com dados secundários do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), obtidos por meio da plataforma DATASUS/TabNet. Foram incluídas todas as internações registradas na Lista de Morbidade CID-10 “esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e delirantes” (Capítulo V), entre 2018 e 2025, analisadas segundo ano de processamento, região, sexo e faixa etária, com cálculo de frequências absolutas e relativas. Por utilizar dados públicos e agregados, o estudo dispensou apreciação por Comitê de Ética em Pesquisa.
Resultados: Foram registradas 569.805 internações no país no período, média aproximada de 71 mil ao ano. O menor número ocorreu em 2020 (61.928), queda de 16,1% em relação a 2019 (73.854), período coincidente com a pandemia de COVID-19. A partir de 2021, houve crescimento progressivo, alcançando 78.447 internações em 2025, o maior valor da série histórica e aumento de 12,1% em relação a 2018. A Região Sudeste concentrou 41,4% das internações (235.709), seguida do Nordeste (24,0%), Sul (21,1%), Norte (6,8%) e Centro-Oeste (6,7%). O sexo masculino predominou, com 60,8% dos registros (346.224), enquanto o feminino correspondeu a 39,2% (223.581); a participação feminina, contudo, elevou-se de 37,8% em 2018 para 40,6% em 2025. Quanto à faixa etária, adultos de 20 a 49 anos concentraram 68,7% das internações, com destaque para o grupo de 30 a 39 anos (24,0%; 136.721), seguido de 20 a 29 anos (23,1%) e 40 a 49 anos (21,6%).
Conclusão: As internações por esquizofrenia e transtornos relacionados no SUS apresentaram retração durante a pandemia e retomada consistente de crescimento até 2025, com predomínio de homens adultos jovens e concentração na Região Sudeste. Os achados evidenciam a persistência da hospitalização como recurso relevante no cuidado a esses pacientes e reforçam a necessidade de fortalecimento da RAPS, com ampliação do cuidado extra-hospitalar e da reabilitação psicossocial, sobretudo nas regiões de maior demanda.
Referências
CHARLSON, F. J. et al. Global epidemiology and burden of schizophrenia: findings from the Global Burden of Disease Study 2016. Schizophrenia Bulletin, v. 44, n. 6, p. 1195-1203, 2018.
MCGRATH, J. et al. Schizophrenia: a concise overview of incidence, prevalence, and mortality. Epidemiologic Reviews, v. 30, n. 1, p. 67-76, 2008.
OWEN, M. J.; SAWA, A.; MORTENSEN, P. B. Schizophrenia. The Lancet, v. 388, n. 10039, p. 86-97, 2016.
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