IMPACTO DA ANALGESIA MULTIMODAL BASEADA NO PROTOCOLO ERAS NA FUNÇÃO INTESTINAL PÓS-APENDICECTOMIA: REVISÃO SISTEMÁTICA
DOI:
https://doi.org/10.63845/wah1v578Resumo
Introdução e objetivo: A apendicectomia laparoscópica é o tratamento padrão-ouro para a apendicite aguda. O controle da dor pós-operatória apoia-se tradicionalmente no uso de opioides, porém esses fármacos associam-se a efeitos adversos como náuseas, vômitos e retardo no esvaziamento gástrico, prolongando o íleo paralítico pós-operatório. Com a consolidação dos protocolos de recuperação otimizada (Enhanced Recovery After Surgery - ERAS), a analgesia multimodal surge como alternativa poupadora de opioides para melhorar a recuperação sistêmica e acelerar o retorno intestinal. O objetivo deste estudo foi avaliar o impacto da analgesia multimodal baseada no protocolo ERAS na função intestinal pós-apendicectomia.
Método: Trabalho do tipo Revisão sistemática de literatura, com buscas estruturadas nas bases PubMed, Web of Science, Scopus e BVS (com LILACS), utilizando descritores para apendicectomia, laparoscopia, analgesia multimodal, ERAS e função intestinal. A estratégia PICO consistiu em: adultos (18 a 60 anos) sob apendicectomia laparoscópica (P); analgesia multimodal baseada no protocolo ERAS (I); manejo convencional com opioides (C); e função intestinal e consumo analgésico (O). Incluíram-se estudos comparativos em adultos com apendicite aguda não complicada. A qualidade metodológica e o risco de viés foram avaliados pelas ferramentas RoB 2 da Cochrane (ensaios clínicos) e Escala de Newcastle-Ottawa (estudos observacionais).
Resultados: A busca eletrônica identificou 201 artigos, dos quais 5 preencheram integralmente os critérios de elegibilidade, totalizando uma amostra combinada de 815 pacientes. De forma geral, a intervenção analgésica multimodal reduziu o consumo de opioides e o tempo de internação. O bloqueio da bainha do reto (RSB) reduziu a dor e o tempo de internação (17 h vs. 44,7 h no grupo controle). A bupivacaína lipossomal diminuiu o consumo de opioides com controle álgico equivalente ao convencional. O bloqueio do plano transverso do abdome assistido por laparoscopia (LTAP) reduziu o uso de oxicodona, demonstrando o alívio da dor entre 6 e 12 horas, embora sem impacto significativo no tempo de internação (2,2 dias vs. 2,3 dias no controle). O protocolo livre de opioides (OFA) reduziu o tempo de internação (4 dias vs. 6 dias no controle) e a incidência de intercorrências como náuseas/vômitos (1,6% vs. 34%), paralisia intestinal/íleo (2,2% vs. 35,1%), depressão respiratória (9,8% vs. 37,3%) e sonolência (0,5% vs. 41%).
Conclusão: A analgesia multimodal baseada no protocolo ERAS na apendicectomia laparoscópica é uma estratégia altamente eficaz e segura. Ao promover controle álgico superior com expressivo efeito poupador de opioides, a abordagem acelera diretamente o retorno da função motora gastrointestinal, minimiza o íleo pós-operatório e reduz o tempo de internação, otimizando de forma consistente a recuperação pós-operatória de pacientes adultos.
Referências
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