Prevalência e preditores de gravidade da ideação suicida em portadores do transtorno afetivo bipolar tipo I: uma revisão narrativa
DOI:
https://doi.org/10.63845/q3q6qa57Palavras-chave:
Transtorno Bipolar Tipo I, Ideação suicida, Suicídio, Fatores de risco, Saúde mentalResumo
Introdução e objetivo: O transtorno afetivo bipolar tipo I (TAB I) figura entre os transtornos psiquiátricos com maior risco de comportamento suicida, constituindo importante causa de morbimortalidade e incapacidade. A ideação suicida representa um marcador precoce de agravamento clínico e associa-se à ocorrência de tentativas e suicídio consumado. Entretanto, a heterogeneidade dos fatores relacionados à sua ocorrência e progressão dificulta a estratificação do risco e o planejamento de intervenções preventivas. Objetivou-se sintetizar as evidências acerca da prevalência da ideação suicida e dos principais preditores de gravidade em indivíduos com TAB I. (DEMPSEY et al., 2024; DEV et al., 2024).
Método: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, com busca estruturada nas bases PubMed, Scopus, Web of Science e LILACS. Foram utilizados descritores DeCS/MeSH e palavras-chave relacionados ao transtorno afetivo bipolar tipo I, ideação suicida e fatores de risco, combinados pelos operadores booleanos AND e OR. Incluíram-se estudos publicados entre 2020 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol. A estratégia de busca identificou 619 registros. Após a remoção de 411 duplicatas, procedeu-se à triagem por títulos e resumos, seguida da leitura dos textos completos potencialmente elegíveis. Ao final, 19 estudos atenderam aos critérios de inclusão e compuseram a síntese narrativa. (ARNONE et al., 2024; DEMPSEY et al., 2024).
Resultados: Os estudos demonstraram elevada prevalência de ideação suicida ao longo da evolução do TAB I, sobretudo durante episódios depressivos e estados mistos. História prévia de tentativa de suicídio, desesperança, impulsividade, sintomas depressivos intensos, ansiedade comórbida, uso de substâncias psicoativas, recorrência de episódios afetivos e baixa adesão ao tratamento destacaram-se como os preditores de gravidade mais consistentes. Em contrapartida, acompanhamento especializado, uso regular de estabilizadores do humor, especialmente o lítio, e reconhecimento precoce das alterações clínicas mostraram-se associados à redução do risco de progressão para tentativa de suicídio e morte por suicídio. (DEMPSEY et al., 2024; DEV et al., 2024; TONDO; BALDESSARINI, 2024).
Conclusão: A ideação suicida constitui manifestação frequente e clinicamente relevante no TAB I, sendo influenciada por múltiplos fatores clínicos, psicológicos e sociais. A identificação precoce dos preditores de gravidade favorece a estratificação do risco, subsidia intervenções preventivas e pode contribuir para reduzir tentativas de suicídio e mortalidade. A incorporação rotineira da avaliação do comportamento suicida no acompanhamento desses pacientes representa medida essencial para qualificar a assistência em saúde mental. (ARNONE et al., 2024; DEV et al., 2024).
Referências
ARNONE, D. et al. Risk of suicidal behavior in patients with major depression and bipolar disorder: a systematic review and meta-analysis of registry-based studies. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, v. 160, 105653, 2024.
DEMPSEY, R. C. et al. The types of psychosocial factors associated with suicidality outcomes for people living with bipolar disorder: a scoping review. International Journal of Environmental Research and Public Health, v. 21, n. 5, 2024.
DEV, D. A. et al. Comparing suicide completion rates in bipolar I versus bipolar II disorder: a systematic review and meta-analysis. Journal of Affective Disorders, v. 361, p. 480-488, 2024.
RIERA-SERRA, P. et al. Clinical predictors of suicidal ideation, suicide attempts and suicide death: a systematic review and meta-analysis. European Archives of Psychiatry and Clinical Neuroscience, v. 274, n. 7, p. 1543-1563, 2024.
TONDO, L.; BALDESSARINI, R. J. Prevention of suicidal behavior with lithium treatment in patients with recurrent mood disorders. International Journal of Bipolar Disorders, v. 12, art. 6, 2024.
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