Condições de saúde e alimentação de pessoas privadas de liberdade: estudo em penitenciárias do Sul do Brasil.
DOI:
https://doi.org/10.63845/tmbmzp26Palavras-chave:
Prisioneiros, saúde pública, estudos transversais, estado nutricional, serviços de alimentaçãoResumo
Introdução: Pessoas privadas de liberdade constituem uma população em situação de vulnerabilidade, cujas condições de saúde e alimentação demandam maior conhecimento para subsidiar ações em saúde.
Objetivo: Avaliar as condições de saúde, alimentação e perfil nutricional de pessoas privadas de liberdade em duas penitenciárias do Sul do Brasil.
Método: Trata-se de um estudo prospectivo, observacional, descritivo, realizado entre novembro e dezembro de 2024, em uma penitenciária masculina e uma penitenciária feminina do Sul de Santa Catarina. Os dados foram coletados por meio de um questionário autoaplicável aplicado a 131 pessoas privadas de liberdade (38 mulheres e 93 homens) e de registros institucionais sobre fornecimento de alimentos e desperdício. As análises descritivas foram realizadas no Stata 17.0.
Resultados: Foram avaliados 131 participantes, sendo 38 mulheres e 93 homens. Entre as mulheres, 66,7% apresentavam sobrepeso ou obesidade, enquanto 65,2% dos homens estavam com sobrepeso. Verificou-se elevada prevalência de doenças crônicas como hipertensão arterial e diabetes entre homens (26,7% e 7,8%, respectivamente) e mulheres (31,6% e 7,9%, respectivamente). Além disso, observou-se baixa prática de atividade física (81,6% das mulheres e 61,1% dos homens eram fisicamente inativos). Quanto à alimentação, quase metade das mulheres classificou a qualidade dos alimentos como ruim ou muito ruim (42,1%) e 12% dos homens classificaram como ruim. Tanto entre homens como entre mulheres, o alimento de que mais sentiam falta era carne e derivados, e o alimento que mais compravam com suas economias era biscoito.
Conclusão: O estudo evidenciou importantes vulnerabilidades relacionadas à saúde e à alimentação entre pessoas privadas de liberdade. Entre elas, destacam-se a elevada frequência de doenças crônicas, baixa prática de atividade física e a percepção insatisfatória da alimentação. Esses achados reforçam a necessidade de fortalecer políticas públicas e estratégias de promoção da saúde voltadas à população privada de liberdade.
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