Violências interpessoais: análise temporal da incidência e perfil epidemiológico em Santa Catarina, 2015–2025
DOI:
https://doi.org/10.63845/qm4hkb40Palavras-chave:
Violência, Epidemiologia, Vigilância em Saúde Pública, Sistemas de Informação em Saúde, Saúde PúblicaResumo
Introdução e objetivo: As violências interpessoais constituem um importante problema de saúde pública devido à sua elevada ocorrência e ao impacto sobre a morbimortalidade da população. No Brasil, as notificações aumentaram de aproximadamente 165 mil, em 2015, para 421 mil, em 2025, com maior incidência entre mulheres, crianças e adolescentes. Diante desse cenário, este estudo objetivou analisar a tendência temporal da incidência e descrever o perfil epidemiológico das violências interpessoais nas macrorregiões de saúde de Santa Catarina entre 2015 e 2025.
Método: Estudo ecológico transversal de série temporal, retrospectivo, com dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/DATASUS). Foram calculadas taxas de incidência e frequências relativas. A tendência temporal foi avaliada por regressão de Prais-Winsten, estimando-se a variação percentual anual (Annual Percentage Change — APC) e os respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%). As análises foram realizadas no software R (versão 4.5.3) e estratificadas por macrorregião, sexo e faixa etária.
Resultados: A incidência de violências interpessoais no estado aumentou de 105,5 para 216,5 casos por 100.000 habitantes entre 2015 e 2025, representando incremento de 105% (APC = 7,31; IC95%: 0,44–14,67; p = 0,039). Observou-se tendência crescente significativa nas macrorregiões Sul (APC = 6,96; IC95%: 4,06–9,94; p < 0,001), Planalto Norte e Nordeste (APC = 10,16; IC95%: 4,79–15,81; p = 0,001) e Meio Oeste (APC = 13,86; IC95%: 5,49–22,89; p = 0,003). Houve crescimento significativo apenas entre mulheres, que corresponderam a 69% das notificações (APC = 7,64; IC95%: 1,79–13,83; p = 0,015). A maior incidência foi observada na faixa etária de 0 a 4 anos (443,9 casos por 100.000 habitantes), seguida pelas faixas de 10 a 14, 5 a 9 e 15 a 19 anos. O aumento foi significativo entre indivíduos de 0 a 4, 5 a 9, 10 a 14 e 20 a 29 anos, destacando-se a faixa de 0 a 4 anos (APC = 14,29; IC95%: 7,21–21,84; p = 0,001). A maioria dos casos ocorreu na residência (68%), tendo como principais agressores a mãe (21%), o pai (16%), o cônjuge (13%) e amigos ou conhecidos da vítima (8%). Predominaram as violências física (40%), por negligência ou abandono (22%), sexual (16%) e psicológica ou moral (15%), sendo a maioria dos episódios não recorrentes (57%).
Conclusão: A incidência de violências interpessoais apresentou tendência crescente em Santa Catarina entre 2015 e 2025, com maior impacto entre mulheres, crianças e adolescentes e comportamento heterogêneo entre as macrorregiões de saúde. Os achados reforçam a importância do monitoramento epidemiológico contínuo e do fortalecimento de estratégias regionalizadas de prevenção, vigilância e atenção integral às vítimas, priorizando os grupos mais vulneráveis.
Referências
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