A síndrome do coração partido: relato de caso de cardiomiopatia de Takotsubo.
DOI:
https://doi.org/10.63845/xw48mz70Palavras-chave:
Síndrome de Takotsubo, Cardiomiopatia, Síndrome Coronariana AgudaResumo
Introdução e objetivo: A síndrome de Takotsubo (ST), ou cardiomiopatia induzida por estresse, é uma insuficiência cardíaca aguda caracterizada por disfunção sistólica transitória do ventrículo esquerdo, geralmente desencadeada por intenso estresse emocional ou físico. Predomina em mulheres pós-menopausa e frequentemente mimetiza a síndrome coronariana aguda, tornando o diagnóstico diferencial um desafio. A cineangiocoronariografia associada à ventriculografia é fundamental para o diagnóstico. Embora apresente evolução geralmente favorável, pode cursar com complicações graves na fase aguda. Objetivo: Relatar o caso de uma paciente com ST desencadeada por estresse emocional agudo.
Método: Estudo retrospectivo e transversal, do tipo relato de caso baseado na revisão de prontuário e literatura científica pertinente.
Descrição do caso: Paciente feminina, 64 anos, admitida com dor torácica súbita e náuseas após estresse emocional agudo (óbito do filho). Hipertensa, apresentava-se estável e em bom estado geral. O eletrocardiograma (ECG) revelou supradesnivelamento do segmento ST em V1-V2, inversão da onda T e prolongamento do intervalo QTc (491 ms). Laboratorialmente, observou-se discreta elevação de troponina e marcadores de necrose miocárdica. A cineangiocoronariografia descartou estenoses significativas, enquanto a ventriculografia demonstrou hipocinesia ântero e ínferoapical, com balonamento apical clássico. Confirmado o diagnóstico de Síndrome de Takotsubo (ST), a paciente evoluiu com remissão dos sintomas e recebeu alta para acompanhamento cardiológico e psicológico.
Conclusão: O caso reforça a ST como diagnóstico diferencial crucial da SCA em mulheres pósmenopausa sob estresse. A associação de clínica isquêmica, biomarcadores alterados e ausência de obstrução coronariana, com imagem característica, fundamentou o diagnóstico. A evolução favorável reafirma a reversibilidade da disfunção ventricular, mas destaca que a síndrome exige atenção a complicações agudas e suporte emocional contínuo.
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