QUEBRANDO AS GRADES DA DESINFORMAÇÃO — EDUCAÇÃO EM SAÚDE NO SISTEMA PRISIONAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DE AÇÕES EDUCACIONAIS
DOI:
https://doi.org/10.63845/1jr0tq63Palavras-chave:
Educação em saúde, Promoção da saúde, Sistema Prisional, Humanização do cuidado, Formação AcadêmicaResumo
Introdução e objetivo: A falta de vivências no sistema penitenciário dificulta a qualificação de estudantes da saúde para atender pessoas privadas de liberdade (PPL). Embora a saúde seja direito constitucional, desigualdades estruturais e a alta vulnerabilidade social agravam as condições dessa população. Assim, ações de educação em saúde são essenciais para ampliar a autonomia e prevenir agravos de PPL. Diante disso, a Liga Acadêmica de Humanização em Saúde (LAHES), criada em 2021 para estudantes de medicina, realiza ações educativas em unidade prisional, unindo estudantes às necessidades da comunidade e promovendo a saúde carcerária. Esse estudo tem como objetivo descrever a vivência da LAHES em atividades educativas em saúde no âmbito prisional, destacando a humanização do cuidado, equidade e respeito à dignidade das PPL.
Método: Relato de experiência de ações educativas feitas pela LAHES em penitenciária do Norte de Santa Catarina. Priorizou-se metodologias participativas e linguagem acessível, adaptando o conteúdo à literacia dos participantes. As atividades abordaram doenças prevalentes (tuberculose, doenças sexualmente transmissíveis, hipertensão e diabetes) para PPLs e funcionários, visando orientar sobre a prevenção e erradicação de doenças e estimular o autocuidado.
Resultados: As ações educativas mostraram potencial para promover troca de saberes, estimular participação e fortalecer o vínculo universidade-PPL, especialmente sob abordagem dialógica, participativa e sensível ao contexto prisional. Tais resultados sugerem que a educação em saúde transcende a simples transmissão de informações, favorecendo o desenvolvimento da autonomia, senso crítico e autocuidado. Além disso, a observação de cenários de alta vulnerabilidade propiciou um olhar mais atento ao Sistema Único de Saúde (SUS), evidenciando-o como mediador fundamental para articular e garantir ações de saúde intramuros. Ademais, estudos indicam que intervenções participativas e de promoção da saúde melhoram o acolhimento, bem-estar e engajamento em práticas saudáveis, embora exijam planejamento cuidadoso frente a limitações de tempo, espaço e segurança. Assim, essa extensão universitária destaca-se como estratégia para reduzir barreiras de comunicação entre serviço de saúde e PPL, contribuindo para um cuidado humanizado, alinhado à equidade e integralidade do SUS.
Conclusão: As ações da Liga constituíram uma valiosa estratégia de promoção da saúde e humanização, além de desenvolver habilidades de comunicação, ética, liderança e trabalho em equipe entre os acadêmicos. Dessa forma, a experiência reafirma a LAHES como elo entre formação universitária e compromisso social, evidenciando o potencial da extensão em aplicar o conhecimento científico na comunidade e formar profissionais sensíveis às diferentes realidades.
Referências
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