QUEBRANDO AS GRADES DA DESINFORMAÇÃO — EDUCAÇÃO EM SAÚDE NO SISTEMA PRISIONAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DE AÇÕES EDUCACIONAIS

Autores

  • Laura Becker Schotten Graduando em Medicina - Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE SC
  • Maria Clara Caetano Graduando em Medicina - Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE SC
  • João Gabriel Amancio Padilha Graduando em Medicina - Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE SC
  • Luíza Becker Schotten Graduando em Medicina - Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE SC
  • Maria Luiza Mattei Battisti Graduando em Medicina - Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE SC
  • Isabella Gessner Post Graduando em Medicina - Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE SC
  • Iara Campos Bernardini Graduando em Medicina - Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE SC
  • Cauã de Freitas Trindade Graduando em Medicina - Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE SC
  • Julia Oliveira da Rocha Graduando em Medicina - Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE SC
  • Isabela Hostim Richter Caron Graduando em Medicina - Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE SC
  • Camila Pereira de Jesus Graduando em Medicina - Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE SC
  • Maria Eduarda de Souza Graduando em Medicina - Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE SC
  • Januaria Ramos Pereira Wiese Docente do Curso de Medicina – Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE SC

DOI:

https://doi.org/10.63845/1jr0tq63

Palavras-chave:

Educação em saúde, Promoção da saúde, Sistema Prisional, Humanização do cuidado, Formação Acadêmica

Resumo

Introdução e objetivo: A falta de vivências no sistema penitenciário dificulta a qualificação de estudantes da saúde para atender pessoas privadas de liberdade (PPL). Embora a saúde seja direito constitucional, desigualdades estruturais e a alta vulnerabilidade social agravam as condições dessa população. Assim, ações de educação em saúde são essenciais para ampliar a autonomia e prevenir agravos de PPL. Diante disso, a Liga Acadêmica de Humanização em Saúde (LAHES), criada em 2021 para estudantes de medicina, realiza ações educativas em unidade prisional, unindo estudantes às necessidades da comunidade e promovendo a saúde carcerária. Esse estudo tem como objetivo descrever a vivência da LAHES em atividades educativas em saúde no âmbito prisional, destacando a humanização do cuidado, equidade e respeito à dignidade das PPL.

Método: Relato de experiência de ações educativas feitas pela LAHES em penitenciária do Norte de Santa Catarina. Priorizou-se metodologias participativas e linguagem acessível, adaptando o conteúdo à literacia dos participantes. As atividades abordaram doenças prevalentes (tuberculose, doenças sexualmente transmissíveis, hipertensão e diabetes) para PPLs e funcionários, visando orientar sobre a prevenção e erradicação de doenças e estimular o autocuidado.

Resultados: As ações educativas mostraram potencial para promover troca de saberes, estimular participação e fortalecer o vínculo universidade-PPL, especialmente sob abordagem dialógica, participativa e sensível ao contexto prisional. Tais resultados sugerem que a educação em saúde transcende a simples transmissão de informações, favorecendo o desenvolvimento da autonomia, senso crítico e autocuidado. Além disso, a observação de cenários de alta vulnerabilidade propiciou um olhar mais atento ao Sistema Único de Saúde (SUS), evidenciando-o como mediador fundamental para articular e garantir ações de saúde intramuros. Ademais, estudos indicam que intervenções participativas e de promoção da saúde melhoram o acolhimento, bem-estar e engajamento em práticas saudáveis, embora exijam planejamento cuidadoso frente a limitações de tempo, espaço e segurança. Assim, essa extensão universitária destaca-se como estratégia para reduzir barreiras de comunicação entre serviço de saúde e PPL, contribuindo para um cuidado humanizado, alinhado à equidade e integralidade do SUS.

Conclusão: As ações da Liga constituíram uma valiosa estratégia de promoção da saúde e humanização, além de desenvolver habilidades de comunicação, ética, liderança e trabalho em equipe entre os acadêmicos. Dessa forma, a experiência reafirma a LAHES como elo entre formação universitária e compromisso social, evidenciando o potencial da extensão em aplicar o conhecimento científico na comunidade e formar profissionais sensíveis às diferentes realidades.

0 0

Referências

BONATO, Patrícia de Paula Queiroz et al. Health Education Initiatives for People Who Have Experienced Prison: A Narrative Review. Healthcare, [s. l.], v. 12, n. 2, p. 274, jan. 2024. DOI: 10.3390/healthcare12020274.

SUH, Michelle I. et al. A scoping review of medical education and care of patients with criminal-legal system involvement. Health & Justice, [s. l.], v. 14, n. 17, fev. 2026. DOI: 10.1186/s40352-025-00392-y.

TESLER, Riki et al. Health promotion programs in prison: attendance and role in promoting physical activity and subjective health status. Frontiers in Public Health, [s. l.], v. 11, p. 1189728, jul. 2023. DOI: 10.3389/fpubh.2023.1189728.

VALENTIM, Janaina L. R. da S. et al. Massive Education in Prison Health in Brazil: A Look Beyond the Walls. International Journal of Environmental Research and Public Health, [s. l.], v. 21, n. 10, p. 1350, out. 2024. DOI: 10.3390/ijerph21101350.

Downloads

Publicado

15/10/2026

Como Citar

1.
Schotten LB, Caetano MC, Padilha JGA, Schotten LB, Battisti MLM, Post IG, et al. QUEBRANDO AS GRADES DA DESINFORMAÇÃO — EDUCAÇÃO EM SAÚDE NO SISTEMA PRISIONAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DE AÇÕES EDUCACIONAIS. Rev. Arq Catarin Med [Internet]. 15 de outubro de 2026 [citado 15 de outubro de 2026];55(4):185-6. Disponível em: https://revista.acm.org.br/arquivos/article/view/2130